quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Nós



Eu... sei que me disseram por aí
E foi pessoa séria quem falou
Você tava mais querendo era me ver passar por aí

Eu... sei que você disse por aí
Que não tava muito bem seu novo amor
Você tava mais querendo era me ver passar por aí

Pois é...
Esse samba é pra você, ó, meu amor
Esse samba é pra você
Que me fez sorrir, que me fez chorar
Que me fez sonhar, que me fez feliz
Que me fez amar

Eu... sei que me disseram por aí
E foi pessoa séria quem falou
Você tava mais querendo era me ouvir cantar por aí

Eu... sei que você disse por aí
Que não tava muito bem seu novo amor
Você tava mais querendo era me ver passar por ai

Pois, é...
Esse samba é pra você, ó meu amor
Esse samba é pra você
Que me fez sorrir, que me fez chorar
Que me fez sonhar, que me fez feliz
Que me fez amar

Pois é...
Esse samba é pra você, ó meu amor
Essa samba é pra você
Pra você sorrir, pra você chorar
Pra você sonhar, pra você feliz
Pra você amar!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Just one more time


Quando cheguei, logo o vi.
Sabia que havia algo errado. O que este cara está fazendo aqui? - pensei. Ele era mesmo muito perigoso para participar de uma festa dessas. Talvez convidado de alguém - que não deveria nem mesmo imaginar o quão terrível seria trazer este tremendo filho da puta (com o perdão do termo, não tem como ser diferente) para este lugar.
Segui com meus falsos sorrisos e minha politicagem aguçada. Há quem me chame de gentleman, há quem me chame de rato sujo. Depende da perspectiva, é claro.
Conversas e paladares em frente, fiz o que deveria ser feito. Quando de repente, em meio às comemorações dos embriagados executivos, o mais verme dos vermes chega e olha nos meus olhos. Respirei fundo e procurei manter a calma, até que ele disse:
 - E a Cristina, como está?
No mesmo momento, segurei firme em seu colarinho e com toda minha força o conduzi a deitar-se no chão, atingindo sua cabeça no pé de uma mesa.
O homem em minhas mãos agarrou uma garrafa que estava no chão e a acertou contra minha cabeça, que me fez mover para trás e levar minha mão contra a parte dolorida. Olhei para a ponta dos meus dedos: sangue.
Não resisti. Todas as pessoas já gritavam e isso fez com que meus instintos se esquentassem: levei as mãos para dentro do colete, retirei a pistola e apontei contra seu pescoço, encostando naquela pele imunda e pressionando. Com toda força nas mãos, a expressão de um demônio e o cão armado, gritei:
 - Abra mais uma vez a boca para falar de Cristina, só mais uma vez!
 - E a Cristina, como...
Atirei.
O cartucho foi arremessado.
Mais um metro quadrado sujo de sangue. Mais um ambiente limpo.
Fim.




 

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Neverland

Preciso respirar.

Deixei a selva de lado, quase que fechei as portas daquele lugar por um longo tempo.

E agora, após um tornado que passou arrebentando com tudo e me levou junto com os destroços, caio no chão frente ao portal que me leva ao meu habitat natural.

Me apoio em meu machado, precisamente desenhado para minhas mãos finas, e logo estou em pé, um pouco curvado, ouvindo aquele som. De novo.

Olho para o portal e vejo a bagunça na selva: tudo ficou desordenado desde que parti.

Os pensamentos mais intensos se camuflaram, e só pude mesmo identificá-los pois eu os conheço bem. As loucuras então, estavam todas à solta procurando o seu Lenhador para se alojarem: sem sucesso. Os medos começaram a dominar o local com seus exércitos poderosos, devastando qualquer vestígio de lucidez que encontravam pela frente.

Quando parei, percebi que estava no meio: nem na selva, nem no mundo real. E então toda uma desordem começou e é esta que ainda não acabou, que me traz de volta aqui todo santo dia.

Ao ver que o portal se abriu, cipós de espontaneidade grudaram em meu corpo e começaram a limpar certa timidez que quase me cobriu. Junto deles, o manto da intelectualidade me cobriu, tapando minha visão por um tempo. E foi debaixo deste manto que pude ouvir calmamente aquela voz: "você de volta?"

De repente me soltaram, e dois soldados de luz me trouxeram a espada da liberdade e o escudo de acidez que me fez tanta falta durante este tempo: no escudo refletia o brilho dos meus olhos, quase que me reconheci.

Eis que olhei para trás e minha visão ficou turva, seria vertigem? Desequilibrei, e a ansiedade tomou conta do meu coração tão calmo, me causando dores de estômago e disritmia. Um vento de confusão vindo por trás ameaçou me derrubar, mas só pude me fazer mais forte, quando olhei ao lado do portal e vi aquela placa de madeira, onde foi talhado o nome do local que sempre me refugiou. Foi então que eu vi que estava de volta, e que deveria mesmo olhar pra frente.

Fiz o sinal da cruz, e recebi a máscara da solidão, que tampa o poder do meu olhar assim para qualquer pessoa.

Ouço: bem vindo de volta, Lenhador Machado.

Agradeço.

Agora só preciso mesmo é me convencer.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

União

 - "Toda classe é desunida, exceto a dos Advogados"
 - Essa frase é boa! É sabedoria popular?
 - É nada, inventei agora.

Toda a espontaneidade e criatividade de Cléber Violin.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010



Venta muito aqui esta noite. Adoro o vento, mas hoje está muito, e então não aguentei e fechei a vidraça.
Agora, pelos vãos dos vidros, ouço o vento cantar. A música que ele acompanha é "Moonlight Sonata", de Beethoven. Parecem entrar em sintonia assustadora de tom e ritmo, alucinando minha capacidade de raciocinar. Em lapsos, ela desaparece e aparece tão rapidamente quanto relâmpago.

Dor.

Hoje estou sentindo a dor mais forte, mais que nos outros dias. Este encontro comigo mesmo, de tão arrepiante que me faz bem, perfura minha vida até alcançar minha alma, rasga meu peito e invade até onde pode. Dilacera e faz que vai matar. E eu aceito. Eu preciso renascer.

Não imaginava que seria tão, tão forte. Conhecer a sensação não me livra do impacto, e me prova que o reconhecimento é sempre mais difícil que a descoberta. O medo de encontrar de novo é sempre maior que o medo do novo.
 
Descarrego a arma e deixo as balas no criado, enquanto a aponto com o cão armado para as portas do guarda-roupa. Click. Testo meu olho mestre, meu respirar e meu perceber. Ainda sim armo novamente, enfio a arma em minha boca e atiro. Clack. Será que eu teria coragem?

Não me sinto psicológicamente preparado para diversas coisas. Ouvir determinadas músicas pode desafiar minha tendência ao suicídio, bem como perder para o sono pode significar minha própria sentença. Assinada pelas minhas mãos que ainda são suaves.

Fecho os olhos e faço uma oração. Peço que Deus alivie minha angústia e me conduza a entender os sinais que me são mostrados pelo caminho. Peço a Deus a paz, a universal. Ele tenta, eu sei. Mas me diz que não depende só Dele e eu acredito. Não é com bazuca que se mata formiga.

Ao levantar a cabeça, tomo o último gole de uísque e sinto as dores dos pontos que me foram arrancados. Por mais contrastante que pareça, o vento agora sopra "Voyage Voyage", com a harmonização mais triste que pode ter.

Eu triste, eu só.

Eu mesmo.

Bem vindo de volta.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Mud@nç@s @contecem

Recebi um vídeo com este conteúdo. Deve ser velho (nem tanto), não sei bem. Nem sei o autor. Mas o conteúdo é, sim, incrível.

Vejam:

Você sabia que os meios de comunicação, a informática e a Internet estão globalizando e mudando nosso mundo?
Quem disse que tamanho não importa?

Países grandes vêm se tornando cada vez mais importantes no cenário mundial.
A população mundial hoje ultrapassa 6,6 bilhões de pessoas.
20% destas pessoas estão na China
17% na Índia

Juntos, estes dois países têm mais de 1/3 da população mundial.
Se considerarmos apenas os 16% mais inteligentes da Índia, teremos mais pessoas do que toda a população do Brasil.
Da China precisaríamos apenas de 14%.
Ou seja: há mais pessoas inteligentes na China ou na Índia do que pessoas no Brasil.

Enquanto você lê essas informações:
30 bebês nasceram no Brasil

244 bebês nasceram na China

351 bebês nasceram na Ìndia

Em breve, a China será o país que mais fala inglês no mundo.
Adivinhe que país é este?:

- O mais rico do mundo
- Com o maior exército
- Centro mundial de negócios e finanças
- Com o melhor sistema de educação
- Líder em inovação e invenções
- O modelo mundial de valor
- Com o melhor padrão de vida
Inglaterra, em 1900.

Você sabia que nos Estados Unidos, mais da metade dos profissionais trabalha há menos de cinco anos na mesma empresa?
Somente 25% dos profissionais permanecem na mesma empresa por mais de um ano.
Segundo a ONU, os estudantes de hoje passarão por 10 à 14 empregos até os 38 anos de idade.
Você sabia que as dez profissões que serão indispensáveis em 2010 sequer existiam em 2004?
Ou seja: estamos preparando estudantes para profissões que ainda não existem, que usarão tecnologias que ainda não foram inventadas para resolver problemas que ainda nem sabemos que existem.
As pessoas estão indo cada vez mais para a Internet.
Você sabia que no ano passado, nos Estados Unidos, um em cada oito casais se conheceu pela Internet?
Que há mais de 300 milhões de usuários no Facebook?
Você sabia que 2,7 bilhões de perguntas são feitas ao Google a cada mês?

Para quem perguntávamos estas coisas A.G.? (antes do Google)?

Estamos vivendo tempos exponenciais!
Você sabia que o número de mensagens de texto transmitidas todos os dias excede a população do planeta?
Existem hoje cerca de 540.000 palavras na língua inglesa. Isso é cerca de 5 vezes mais do que havia na época de Shakespeare.
Mais de 3.000 novos livros são publicados diariamente.
Estima-se que a quantidade de nova informação gerada no mundo este ano é maior do que a acumulada nos últimos 5.000 anos.
A quantidade de informação técnica nova dobra a cada 2 anos.
Para os estudantes, isso significa que metade do que se aprende no primeiro ano da Faculdade estará ultrapassado no terceiro ano.
Estudos prevêem que em 2010 o conhecimento humano dobrará a cada 72 horas.

Isto significa que todo profissional precisa se atualizar sempre.

A informação está cada vez mais nos meios digitais.
Fibras óticas de terceira geração, recentemente testadas pela NEC e Alcatel, conduzem 10 trilhões de bits por segundo em um único fio.

Isso equivale a 1.900 CDs ou 150 milhões de ligações telefônicas simultâneas a cada segundo.

A cada 6 meses, este número triplica.
Já existem cabos e fibras suficientes. O que se faz hoje é apenas melhorar as conexões.E o custo dessas melhorias é praticamente zero.
Tudo isso indica que, muito em breve, o papel eletrônico estará mais barato que o papel real.

Você sabia que 47 milhões de laptops foram comercializados no mundo no ano passado?
Há previsões que em 2022 haverá um supercomputador que excederá a capacidade computacional do cérebro humano.
Enquanto é difícil fazer previsões tecnológicas para além dos próximos 15 anos, não é difícil prever que em 2050 um computador excederá a capacidade computacional da espécie humana.
O que tudo isso significa?
Mud@nç@as @contecem

Agora você sabe!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Por que as palavras?



 
Somente com as palavras é que consegui me dar bem.
Porque não há relação melhor entre você e você mesmo, que por meio de palavras. Os pensamentos vêm e vão rápido demais, o suficiente para não te dar chance de pegá-los. As imagens se perdem com o tempo, são subtituídas por outras, e a vida torna-se tão mais rápida a cada dia que passa que logo, logo, já foi embora.
Mas as palavras, não. Elas ficam.
Ficam quando se ouve, ficam quando se fala. Ficam quando se escreve, quando se lê, quando se guarda ou até quando se joga fora. Ficam, cravadas, apunhaladas.
Escolhi as palavras quando percebi a força que possuiam (e que possuem). É uma pena que poucos saibam de verdade sua potência, seu alcance e precisão. Escolhi as palavras porque podia usá-las tanto para o bem como para o mal. E nas próprias palavras podia escolher como ia ser: se ia acariciar, tocar, desejar, transar, amar ou; se ia atirar, flechar, agredir, humilhar, matar. Com palavras.
Resolvi arcar com as consequências: com as palavras, eu vi que também podia morrer. Podia morrer e morria, todos os dias, sem quase ninguém perceber. Nem sempre quem usa as palavras, sabe se optou mesmo por elas.
Por fim, escolhi as palavras porque delas pude criar estórias. Pude criar, e crio! Novos lugares, contextos, situações e emoções feitas de letras e rimas, de frases, sentenças, diálogos de travessão! E nas estórias, eu posso ser quem eu quiser, posso fazer o que quiser, e posso dar a mim as consequências das escolhas que eu mesmo fiz. Posso voar, posso morrer, e posso renascer de qualquer lugar.
Somente com as palavras é que consegui me dar bem.
Com as palavras, eu posso tudo.
Inclusive tornar tudo real.
Eu posso tudo.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

No jogo sujo



 
" - Não é o que você sabe, filho. É o que pode provar.
 - Isso está errado, eu não atirei em ninguém!
 - Atirou, filho. Quatro oficiais viram você atirando com uma calibre 12 direto no peito dele.
 - Isto é mentira!
 - Ah é? E a corregedoria vai acreditar em quem? Em quatro oficiais experientes e renomados, ou em um novato que fumou maconha o dia inteiro?
 - Seu filho da puta, você planejou isso o dia todo!
 - Planejei a semana toda, filho. Não é o que você sabe, mas o que você pode provar."



Diálogo entre Alonzo Harris e Jake Hoyt, em Dia de Treinamento (Training Day, 2001)


quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Sina

Onde, se não, aqui?
Quando, se não, agora?
Com quem, se não, com você?

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Corredeira

Aprendi até que cedo
Que não deveria ver
Que eles querem ensinar
Que eles querem que eu aprenda
E aprendi, além do mais
Que aquele que brinca muito
Que brinca com todo mundo
Tem problemas, meu rapaz
Tem problema, até, demais
E esconde por trás do riso
Que pensa que logo traz
Aprendi que quem ajuda
Se ajuda, ou o fará
Que não há constrangimento
Quando você afundar
Que conselho bom se vende
Que conselho bom, se nega
Se compra, troca, e se dá
Aprendi, pois, bem mais tarde
Do que deveria ter
Que precisa-se apanhar
E nem sempre, assim, bater
Aprendi que quem ensina
Nunca sabe pra valer
Vale o que quem aprende
É capaz de entender
Vale um prêmio, quem sabe
Quem minha mente invade
Pra que assim, eu aprenda
Que amar não é sofrer.