terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Just one more time


Quando cheguei, logo o vi.
Sabia que havia algo errado. O que este cara está fazendo aqui? - pensei. Ele era mesmo muito perigoso para participar de uma festa dessas. Talvez convidado de alguém - que não deveria nem mesmo imaginar o quão terrível seria trazer este tremendo filho da puta (com o perdão do termo, não tem como ser diferente) para este lugar.
Segui com meus falsos sorrisos e minha politicagem aguçada. Há quem me chame de gentleman, há quem me chame de rato sujo. Depende da perspectiva, é claro.
Conversas e paladares em frente, fiz o que deveria ser feito. Quando de repente, em meio às comemorações dos embriagados executivos, o mais verme dos vermes chega e olha nos meus olhos. Respirei fundo e procurei manter a calma, até que ele disse:
 - E a Cristina, como está?
No mesmo momento, segurei firme em seu colarinho e com toda minha força o conduzi a deitar-se no chão, atingindo sua cabeça no pé de uma mesa.
O homem em minhas mãos agarrou uma garrafa que estava no chão e a acertou contra minha cabeça, que me fez mover para trás e levar minha mão contra a parte dolorida. Olhei para a ponta dos meus dedos: sangue.
Não resisti. Todas as pessoas já gritavam e isso fez com que meus instintos se esquentassem: levei as mãos para dentro do colete, retirei a pistola e apontei contra seu pescoço, encostando naquela pele imunda e pressionando. Com toda força nas mãos, a expressão de um demônio e o cão armado, gritei:
 - Abra mais uma vez a boca para falar de Cristina, só mais uma vez!
 - E a Cristina, como...
Atirei.
O cartucho foi arremessado.
Mais um metro quadrado sujo de sangue. Mais um ambiente limpo.
Fim.




 

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