segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Slave



Nada se perdeu.

Os olhos, o jeito de enviar um olhar, e de saber quando se recebe. O saber escolher as palavras e mais, o volume e o tom da voz, o momento certo a dizer e talvez, principalmente, a qual distância dizê-las.

Aquele jeito de segurar o copo de uísque, de se vestir, e de assim ganhar o mundo.

A conectividade, o tal magnetismo, e a velha segurança de abordar - com tranquilidade e a dose certa de ousadia - não se esvaecem assim, em um piscar de olhos. Os olhos não piscam.

O arrepiar ainda insiste em construir todos os momentos. Os sentidos, mais que os sentimentos, são os donos de todas as verdades e mentiras, a priorizar a que couber melhor ali, naquele minuto. Se o ponteiro passar, já era, pode dizer a verdade para não ter que sair da mesa.

Paixão. Hora de lembrar que a passionalidade faz com que grandes paixões se iniciem e nunca, nunca mais terminem. E que ao longo de todo o tempo têm-se a possibilidade de sustentá-las, talvez até revigorá-las - se assim o quiser - com ou sem uma promessa de futuro, entretanto, ainda no firmamento de um passado puro e lindo, apesar de.

Tudo continua aqui. Inclusive aquela loucura de ouvir Bryan Ferry e, só então, saber que a vida pode continuar assim.

To love.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Tambor



De repente, já é tarde, e você acorda. Acorda e o gosto amargo na boca é inevitável, a sensação do que era impossível ter se tornado apenas muito difícil, e a mistura do possível e não-realizado com a vontade de dizer algumas palavras ensaiadas [e talvez colocar tudo a perder]. 

É uma roleta russa.

No fundo mesmo, aquela transformação que permanece sendo escondida diariamente pelos disfarces da rotina, gosta é de diminuir as chances, de arriscar, apostar tudo de uma vez. Vale mais a pena sentir que a possibilidade é bem pequena, e que cada um daqueles segundos antes de acontecer, são mesmo vidas inteiras.
E quando se coloca todas as fichas em jogo e surge a derrota inevitável, deve-se saboreá-la de maneira surreal, ímpar. 

O que é justo, é justo: perder e ganhar têm o mesmo valor.

Por esta razão, jogo estrategicamente. Penso, penso, penso, e cada jogada vale o jogo inteiro. Porém, durante a ação, nem sempre se consegue conter a emoção e o forte desejo de fazer uma besteira. Calma.

E por fim se estou assim, aflito a esperar pelo próximo episódio, é porque significa muito. E mesmo já tendo assistido ao gran finale deste show magnífico, gosto deste querer que não sabe bem se tudo pode mudar. Gosto de imaginar se tudo podia mesmo ser diferente daquilo que já sei o quê.

Cinco balas e uma chance. Vale tudo.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Fé compatível


A passos largos
Marcas e rastros
Faço descasos
Colo em teus cachos

Por nossas dores
Deixo-te flores
Supero amores
Mostro-te cores

Em esperança
Convido à dança
Pague a fiança
Cresça, criança

Quanto ao cuidado
Dá-me este lado
Pois teu pecado
Sigo a provar.

domingo, 13 de novembro de 2011

Não acabou



Noite chuvosa de sexta-feira, restaurante meio cheio feito um copo meio vazio. Antes mesmo do prato chegar à mesa, ela entrou.
Quando a vi, confesso, estremeci por inteiro. E num disfarce nada eficiente, fixei meus olhos naquela silhueta que atravessava o ambiente principal, logo tomando o caminho direto a uma mesa do fundo. Como sempre, um vestido pra realçar aquela mistura entre sensualidade e maturidade. Não pude acreditar.
Depois de um certo tempo, talvez cinco ou, quem sabe, seis anos, aqueles olhos azuis acompanhados do sorriso mais misterioso que já conheci ainda estariam por perto, ainda poderiam me atormentar, abalar meus sentidos, me trucidar.
Ao vê-la simplesmente deixar sua companhia e ir retocar a maquiagem, já foi suficiente para poder ir até lá, em pensamento, agarrar com força seus cabelos longos e louros, misturar um sussurro no ouvido com um beijo em sua nuca, e em seguida dominá-la e ser dominado, ali mesmo, no mármore e no espelho de um restaurante qualquer.

Sua magia ainda funciona, constatei.

Então ela desceu a pequena rampa e, como não poderia ser diferente, me viu. Os segundos mais longos da noite foram aqueles: passo por passo, olhos fixos sem a menor intenção de se desviarem, o sorriso incógnito e minha expressão de "ainda sou aquele, o seu, o melhor homem do mundo". Mentira, estava totalmente desestabilizado como nas primeiras vezes em que a vi, nos corredores em meio às compras, naquele vestido azul. Contudo, acho que funcionou.
Tentei manter a noite agradável, e estava inspirado em meio à chuva nas janelas, porque consegui. Mesmo.
No final, a conta direto no balcão, e a oportunidade de olhar naqueles lindos olhos novamente. Me virei e, quase num relance, consegui transformar três segundos em três horas, quando vi seu rosto acompanhando meus passos, e seus olhos fixos em mim, medindo cada mudança desde nosso último encontro. Enquanto ouvia uma conversa qualquer, ria disfarçadamente, e me lançava o último sorriso da noite.

Ainda não sei o seu nome, e nem sequer ouvi sua voz. O perfume, vá lá!, tenho até medo de descobrir e de ser entorpecido eternamente. Mas eu me conheço. Eu pago o preço.

E fique com o troco.

domingo, 6 de novembro de 2011

Poder

Faço-me vivo em tua presença
E faço que te trago pra mais perto
com minha pobre força

Cuida dessa tua habilidade
de fazer com que meu ego infle, exploda
Antes que teu perfume me mate

Faz o que quiser, mas com requinte
Olha em meus olhos, mira em minha boca
Acerta onde achar que deve

Tu podes.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Conflito

Doloroso não sentir mais essa dor. Ou sentir e não falar.

por Fagner, de Petrucio Maio / Clodo


Ah, meu coração que não entende
O compasso do meu pensamento
E o pensamento se protege

E o coração se entrega inteiro e sem razão
Se o pensamento foge dela o coração a busca aflito
E o corpo todo sai tremendo,
massacrado e ferido no conflito

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Os Três Mal-Amados

Agora em homenagem a Thaís Carvalho:

por João Cabral de Melo Neto 

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés.  Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

How, buddy?


O momento de encontrá-la está se tornando cada vez mais próximo.
Com isso, surge uma série de questões. Algumas parecem impossíveis, já outras, são simplesmente muito difíceis. Como lidar com todo esse lixo?
Basta olhar em volta para perceber que estamos passando por poucas, e não tão boas. Estamos em um mundo em que cada vez menos é possível admirar as pessoas, seja por seus feitos grandiosos ou - ainda pior - pelo que simplesmente são. Não dá.
Quando foi que tornamo-nos assim, desprezíveis? Ou se sempre fomos assim, tudo bem, quando foi que deixamos de considerar importante esconder?
A imundisse está à solta: na tela, na ponta do lápis dos dedos, no tráfego dos dados. A sujeira inicia nosso dia no rádio e estraga nosso café da manhã. E a responsabilidade cabe a três papéis neste círculo: Quem fez a besteira, quem divulga a besteira, e quem está ouvindo a besteira distorcida - o que será que vai fazer com ela?
As pessoas decepcionam. E então...

Como ensinar?

Como falar a esta nova habitante a respeito do que estamos vivendo, e do que ela vai ver? Do que estamos passando, do que ainda vamos passar, ou - por pior que pareça - como nós já fomos diferentes.
Explicar que para ser alguém bom, é preciso fazer as coisas boas, e fazê-las de bom grado, de bom coração. Que é preciso sorrir e chorar, agradecer todos os dias a Deus, olhar pra frente e, claro, seguir em frente.
Como explicar que vai haver gente que não aprendeu nada sobre isso e que faz exatamente o contrário, ou ainda, que tem outros que nem sabem que essa lição existe. E que mesmo assim, encontramos essas pessoas não tão boas lá no topo, fazendo papel de quem está fazendo seu papel, e que nessa vida, de tantas coisas importantes, o estômago está ali disputando o primeiro lugar. 
Como?
Se sabemos que ganhar é difícil, não podemos esconder. Agora, sabemos também que existe o jeito fácil de ganhar, mas é preciso pisar em algumas cabeças, contar algumas mentiras, e que isso não é coerente com aquela primeira lição.
Ensinar que lealdade é diferente de fidelidade e que, ainda sim, estamos aqui para fazer o bem. Sorrir, e fazer os outros sorrirem também.

Deixa ela chegar, deixa ela viver, deixa ela aprender, e entender que pra estar aqui a gente tem mesmo é que resistir. Senão não dá.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Pílula

A noite é fria, então, um banho quente.
A blusa mantém o calor, o blazer carrega o uísque. Noite fria, sabe como é.

Ele chegou, e a viu, de longe. Entrou, e de perto, fingiu que não. Orgulho bom é orgulho bobo.
Encontrou um qualquer e parou, jurou para si mesmo que não o fez estrategicamente, mas a quem engana? E eis que sentiu...
A mão da moça deslizou por suas costas, leve como deveria ser. Embora não tivesse a certeza de quem era, guardou em segredo quem queria que fosse. Tentou sentir o perfume, mas ela não estava tão perto assim.

Virou e a encontrou. Um sorriso belo e natural, porém parecia ter certas ressalvas, vai saber.
 - Oi!
 - Oi...

O fato é que seu sorriso, então, deve ter sido dos mais estranhos. Nunca se sabe que reação ter nessas horas.
O abraço foi bom, e embora tenha durado apenas alguns segundos, foi tão longo quanto deveria ser. Seguido de um silêncio embaraçoso, ele tentou disfarçar o contento, e chegou até a pensar que teve sucesso.

Talvez.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Querer você


Não vou saber
Onde é que estás
E se eu não sei
Pra onde vais
Queres saber?
Não tem porque

Não quero estar
Onde tu estás
E eu sei porque.
Por este estar
Eu já passei
E já bem sei,
Bem não me faz
Mas sei porque
Está onde estás

Não quero ir
Pra onde vais
Pois fui, voltei
E vale mais
Estar aqui
Te ver chegar
Quero te ver
Chegar, ficar
Pois vou chegar
Talvez ficar
Não, onde estás
Mas em você.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Só eu.

Talvez o cantor dessa música do rádio nem tenha idéia do que está dizendo, e francamente, é possível se garantir até certeza.
O beijo doce tem mesmo gosto doce. E o suspirar de prazer é algo assim, que para muitos, segue inimaginável. É o que ele diz, mas...

Ela apareceu e desta vez foi em sonho. Quando a vi, quase nem soube o que pensar. Ao se aproximar, então, ensaiei comigo mesmo, talvez quinze ou vinte vezes, aquilo o que falar. Mas não deu.
Qualquer elogio é muito pouco perto da beleza e do encanto que aquela combinação sorriso-e-olhos tem. Qualquer flerte se desarma por si só quando a vítima é a dona de tal promessa de um momento perfeito. Não há o que fazer, se não, respirar fundo, sorrir de volta, abraçar forte e deixar de fora qualquer sentimento ruim. Ela é mesmo intensamente irresistível.
O mais curioso é a habilidade que a moça-mulher tem de estar ao alcance. É aquela sensação de que todos os olhares famintos a procuram, desejam, cobiçam, mas o alcance está aqui, comigo.

Se ela sabe de tudo isso? Não sei.

Eu sei.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Vem você em mim.

Você me destrói.

Não sei mais o que faço, não sei onde não te encontro, onde não penso em tudo isso, onde posso me esconder. Não sei e não quero saber, porque não é para lá que eu quero ir.

Queria poder lembrar do momento em que alguém conseguiu assim, desse jeitinho que você consegue sem mover uma palha, destilar meu forte veneno usando um sorriso, um pouco de um sedutor perfume, e muito perigo. Queria poder dizer que sei bem como lidar com isso, que sou da velha guarda.

Indiferente é o universo quando se aproximas de mim com esse teu jeito todo seu. Áureas e constelações estão lá a conspirar para que meu olhar cruze com o teu, e tudo se acabe, por fim, em uma disritmia incontrolável.

E se eu te encontro assim, no meio do dia, com um belo casaco, me vem uma mistura doida: o desejo louco de rasgar sua roupa e te levar pra um lugar onde você jamais foi (...jamais deste jeito), e o medo poderoso de você ir embora mais uma vez deixando a mim apenas o toque das tuas mãos em minha nuca, como um abraço dos mais ingênuos, ou uma louca provocação.

Você me destrói, mas nem sabe. E eu estou tentando mesmo é descobrir se isso é bom ou ruim.

sábado, 13 de agosto de 2011

Sem cerimônia.

Naquelas semanas, minhas últimas semanas, algo estranho aconteceu.

Viver sem rédeas tem dessas coisas. Não ter horário, nem tempo, nem crise...e ao mesmo tempo, ter toda a culpa do mundo. Não saberia como fazer de outra maneira.

O que sei é que, até com um certo desespero, percebemos que não tinhamos feito metade das coisas que deveríamos. Não tínhamos cumprido todo o protocolo, mas ao contrário, tínhamos arrebentado. Essa é a palavra: Arrebentar.

Então começou a via sacra: aquele restaurante da mídia corporativista burguesa social, aquele beirute, coca-cola de vidro em todos os lugares possíveis, aquele bordel. Tudo ao mesmo tempo.

E quando as opções pareciam estar chegando, enfim, ao seu término, é que surgiram os filmes. Uma lista não muito longa, mas significativa, afinal: "como você vai embora sem ver esse?".

Madrugadas a fio, um atrás do outro, e o sono. Acordar, ir, trabalhar, voltar, bater o cartão, ligar, ir, ir, ir. E mais dois ou três clássicos, um atrás do outro.

Ufa!

De repente, sem nem perceber, era o último dia. E o mais estranho de todos os acontecimentos foi a cena da despedida: como se eu ainda fosse voltar na próxima semana. Não?

A rodoviária continuava ali do mesmo jeitinho, com os mesmo atendentes estúpidos e aquele monza hatch branco que não saía de lá, mesmo.

E nós ali, naquele abraço de toda semana, sem fazer cerimônia de partida, de "adeus".

Por vezes, antes deste dia, imaginei como seria me despedir para sempre. Antes de abraçar, viria cada cena na minha cabeça...o fondue, o trem no caminho pra fazendinha, a estrada e o fagner, o dedinho e o 16, as fotos com o simpa, e a pouca estada como frentistas do drive thru. O Molho de alho pelo telefone, o videokê, na mesa amarela as TVs assíncronas e o medo de encontrar aquele cara chato pra cacete, e as inúmeras vezes em que nos olhamos e a clássica pergunta surgiu: "O que é que eu estou fazendo aqui?". Por fim, como não poderia faltar: "qualquer hora você vai fazer esse retorno e bater no meio do poste".

Sim, isso é uma homenagem discarada. Porque você faz falta pra caralho demasiadamente.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Flower name

She has a pretty beautiful name. Like the flower, doesn’t matter which, at this moment. The point is that’s a simple name, and it’s sound makes me shiver.

Suddenly she comes. Like this, in the middle of the night, just to talk. “Came just to see how’re you going”, she said, and broke me down immediately. And (I think) she just doesn’t know her power over me – Hope to be write. Praying to be wrong.

And then, on an unavoidable way, she did it: look me in the eyes. The world, as his clocks, stopped for a while, and I felt this like a gift of The Lord: “Son, enjoy that, cause although you can’t do it, I know you want it, and it’s all your fault. Take that, and do what you want with this”. Understood.

So I keep sweeping her with my poor and tired eyes, hungry, but doing it softly: I want to be catched, but not as a moster. Share this.

After that, every single word spoke out by her mouth became good music, better than the best ones. Even knowin’ that it could become an uncontrollable feeling, the fact of choose to be inside this game makes me alive, and not just for a male need, but for an adventure search. It works.

I know that’s not the first time it happened. And I know that the flower can’t do it either, but whatever, she’ll be mine. At this world, at this time, and place…or not.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Mesa de Bar

Parece até que não, mas a mesa de bar diz muito sobre uma mulher.

Quando ele chegou, eu já estava ali. O vi lá de dentro, pelo vão da porta, enquanto ele conversava com um amigo qualquer. Suspirei, disfarcei, mas não deu pra desviar o olhar.

Fazia tempo que não via um homem charmoso assim. Em meio a um bar de jazz, que imita pub americano, mas só recebe brasileiro bixo grilo, de repente recebe um homem de verdade! Até dá para se estranhar, não por menos, é claro. Vestia-se casual, mas com um blazer que fazia jus aos cabelos e olhos negros, sorriso bonito, enfim. Meu número.

Meu papo com as meninas era o mesmo. Quintas e Quintas-feiras por aqui, e é sempre a mesma coisa: o ex que não a deixa em paz, a outra que vomita sempre depois que janta porque não gosta do próprio corpo, e eu aqui, morrendo de nervos daquele cara metido agora encostado no balcão.

O jeito que ele segurava aquele hip flask me excitava. Sem explicação, mas eu já me via sendo dominada por aquelas mãos, tirando aquele blazer e mordendo o homem inteiro. Entre outras coisas que não cabem aqui, certamente.

De repente, então, me aparecem dois caras estranhos distribuindo olhares. Este tipo sempre insiste em sentar na nossa mesa, querem comer, e estão esperando uma opinião de quem quer dar. O detalhe é que não precisa de muito para qualquer um deles pensar que vai acabar com qualquer uma de nós essa noite. Azar, porque ainda estou olhando ali para o moço, que não me dá nem um sorriso.

Resolvi dar uma corda para os dois, então. Um deles até que não era tão ruim, não fosse a vontade de mostrar que era irmão de alguém importante, sei lá, quem precisa disso? O outro então, melhor deixar pra lá...

E não é que perdi a oportunidade, mais uma vez?

Olha lá ele, indo embora. O ex futuro homem da minha vida, que dei tempo pra terminar de beber e ainda sair de fininho, e pior: não fiz nada. Eu falo, que quando é pra gente se dar mal, nem Deus impede.

Mas ele vai aparecer de novo, ah, se vai.

Se bem, que eu nunca o vi aqui antes. É, deixa pra lá...

Balcão

Parece até que não, mas o balcão do bar diz muito sobre um homem. 

Chego e encosto. Curiosamente o negão afrodescendente de 1.90m de altura da portaria me reconheceu, e sorriu, recebendo novamente o dinheiro da entrada. As mesmas notas, recém devolvidas.

A garçonete também me reconheceu. Tem dezesseis, dezessete anos, não mais que isso. Guardou minha água, e fiz questão de continuá-la. Perdeu de vender outra água, mas tudo bem, eu sei que ela não tem malícia ainda para isso.

 - Por favor, um copo de vidro.
 - Senhor, não servimos com copo de vidro às quintas.

Respiro.

Quando tiro meu uísque do bolso do paletó, ela se espanta. Não olho em seus olhos nem faço nenhuma expressão, para não interrompê-la. Quero que ela sinta, mesmo. Percebi que foi novidade.

Começa a música, e eu permaneço em silêncio. Quando cheguei, notei as três garotas ao fundo (agora às costas): Morena do cabelo curtinho e bem enrolado, gordinha do cabelo liso, e uma bem, bem branquinha, da boca bonita e com aquela beleza exótica. Claro, é essa.

Não viro para trás em um sequer momento. Cada movimento é preciso, desde o abrir da tampa do cantil – dez voltas para abrir, dez para fechar – ao gole, em si. Bebo, tampo, guardo. Bebo a água em seguida, continuo a viajar em pensamentos, calado. Percebo os olhares, recuso. Preciso.

A banda é horrível. Um jazz muito mal feito, viciado, impuro. E eu ali a ouvir, a entender o que já não se sabe mais para onde vai. Eu, e o João, o Andarilho, de traços negros, dentro do meu cantil. Pois bem.

E é quando chegam dois indivíduos à mesa das três garotas é que tudo fica mais interessante. Faço questão de ouvir as conversas, com algumas frases do tipo “É que eu sou irmão do secretário de cultura”, ou “eu toco na noite, mas estou parado ultimamente”. Asco, eu sinto, mas rio. Meu velho companheiro uísque me faz bem.

Vou longe, ali encostado no balcão. É possível identificar o perfil de cada um que está ali, e ainda sim, sobreviver. Mais uma dose, do vermelho, dessa vez. Lembro de um amigo, a gordinha aqui da mesa cairia perfeitamente ao seu gosto. Mas ele não está aqui, e eu devo respeitar. Rio, sozinho.

Coloco uma nota de vinte sobre o balcão, e olho para a mocinha. Ela me devolve o troco, sabia que não iria me custar mais que isso. Amanhã cedo eu descubro se esta dose extra é vagabunda, ah, se descubro!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Agora sim.

Eu me lembro, gostava da mais bonita. 

É, tinha que ser ela, e não há outra explicação mais clara. Até me divertia com uma aqui, ou outra ali – dentro da condição que estava divertindo alguém, concordo – mas tinha que ser ela. A mais bonita.

E não é que deu certo? Na época, nos tornamos namorados, namoradinhos, casalzinho, como queira. 

E foi com a primeira namorada, com a mais bonita, que eu percebi que não queria a mais bonita. Eu queria todas! Por mais impuro que pareça, querer todas não era a pior parte, mas sim, saber que podia tê-las. E tinha. 

Algumas bonitas, outras não tão bonitas...é, bem menos bonitas. Mas tinha, e aquilo me satisfazia de uma forma estranhamente masculina. E bem infantil, digamos.

Depois de um certo tempo com todas, percebi que o que eu queria mesmo, era as mais velhas. Ah, as mais velhas, cinco, dez, doze, quinze anos mais velhas do que eu! Uau, agora sim, estava bem. Porque além de ter todas – e até começou a me cansar, essa parte – eu tinha outra faixa. 

Ainda nessa, comecei a praticar. Casadas, mães, bissexuais, carentes, aventureiras, e as etecéteras. Achei que não ia ter fim.

Mas passou. Sem querer, passou. E foi desse jeito, mesmo, degrau por degrau, até chegar ao descanso da escada. E o tal descanso me trouxe algo muito, muito melhor: Ela.
 
Ela apareceu e foi diferente – por menos convincente que isso pareça – e foi bonito, e puro, e maravilhoso. Tanta coisa. 

E a cereja do bolo: ela é a mais bonita. Mais que a primeira, mas que aquelas menos, mais. E essa beleza diferente, esse aspecto todo dela, se junta com essa minha vontade de fazê-la a mulher mais feliz do mundo, trazendo assim, algo mais: essa nossa habilidade de conseguir.

Tudo foi necessário, sim, para que eu percebesse – agora, então – que eu quero mesmo é ela. E se eu pudesse voltar atrás, e fazer tudo diferente, não sei, talvez eu faria. Arriscaria meu pescoço, caso algo me desse garantia que a teria no final.

O final é agora. O final é o começo.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Eu decido


Eu sei que não deveria ter feito isso, mas foi mais forte que eu. Sempre é mais forte que eu, tanto que já nem impressiona mais, essa fraqueza. Nem tenho mais a quem culpar: falta de fé, de estrutura? Sintomas da parte ruim de uma solidão, do passado? É, já se esgotaram as possibilidades.

O que sei é que eu estava ali, frente a frente, e tudo o que estava à minha volta foi naturalmente ignorado pela minha mente. A música que estava tocando no rádio? Não me lembro. O cumprimento de um conhecido, ou minha resposta? Menos ainda. Fiquei cego, focado, concentrado.

A parte mais curiosa é que quando me vejo em tal situação - mesmo porque sei que esta não é a primeira vez que acontece, e imagino que não será a última - certas aptidões melhoram muito: meus reflexos ficam bem mais rápidos (dentro do que se passa, do foco), visão, audição etc. Memória, então? Nem se fala. Guardo tudo. E aí é que começa a parte mais difícil...

Nessa de memorizar cada imagem, cada som, cada fato, é que me prendo a todos os detalhes e não consigo mais impedir minha cabeça de produzir, meu coração de se envenenar, mea culpa em evidência.

Eu sei que não deveria, mas já fiz. E agora já sei, o que talvez eu não deveria ter descoberto, nunca - inclusive porque não me basta saber, agora eu sei em detalhes, em números e cronologia, em verdade.

A parte mais difícil realmente não é fazer a informação chegar até alguém. Mas sim, saber o que este alguém fará com essa informação. Em outras palavras: agora depende de mim, mais uma vez. Eu decido o que vou fazer com tudo isso.

Eu decido.

sábado, 9 de abril de 2011

Encontrar?

Os fatos não me deixam pensar em outra coisa que não a lei da vida. A ordem natural das coisas, o sentido, o propósito. Longa jornada, composta de inúmeros e sucessivos fracassos, decepções, e pequenos sucessos nos intervalos pra dar um certo tempero.
Claro que ninguém me disse que seria fácil, e nem mesmo eu tinha qualquer crendice deste teor. Mas a dor consome e petrifica certos sentimentos, congela emoções, e mais, as transforma. Nem preciso dizer que a mutação pende para a crueldade, para a ira e a desilusão.
Nisso, chega o medo e uma velha habilidade de se envenenar. Até então, não muito utilizada há tempos. É nesta hora que descobrimos quando determinadas coisas são, efetivamente, da nossa própria natureza.
Cuido de mim, mas não tanto. Estar sozinho parece bom, mas não tanto. Reflexões que eram tão potentes e confortantes, agora apenas trazem confusão. E eu sei que preciso de um mecanismo melhor, ou vou enlouquecer (em essência).
Encontrar alguém a quem se possa acreditar era a missão mais difícil que eu pensei que pudesse existir. Agora estou pensando, qual é a parte que realmente beira o impossível nesta tarefa.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Billie Jean


A troca de pele exige que determinadas coisas sejam mesmo desvinculadas, soltas, para apodrecerem, se degradarem. Com esta casca que é deixada para trás, tudo aquilo que - desde a última transformação - veio grudando, penetrando, se fundindo e que, por fim, criou toda essa estrutura, vai embora. Vai embora e dá espaço a esta nova pele, lisa e intacta, pronta para que novas pessoas, coisas, espíritos, músicas, filmes, anjos, demonios, golpes e carinhos, dentre tantas outras, possam se alojar, tornar-se parte do todo.
Amigos que não estão mais aqui. Não por não serem mais amigos, mas porque não estão mais aqui, simples assim. Inimigos que também estão lá, praticando suas maldades em outros lugares. Amores passados que estão mesmo passados demais para passarem por aqui, além de tapas e abraços que ficaram ali no chão, para sempre.
E esta, é uma das etapas mais difíceis da travessia toda: a da limpeza.
Preciso me livrar de tudo aquilo que é sujo. E ah, como dói, só Deus sabe. Ele é quem manda essa dor, eu bem sei, esse castigo. Não por estar me limpando, não, mas por um dia ter passado por isso e mergulhado nesse prazer ímpio. É hora de pagar.
Aos poucos, nesta renovação de conceitos e idealizações do que é, de verdade, viver, inúmeras tentações chegam em suas diferentes formas. As que caí  em épocas de carne, serão perdoadas agora, pois o punhal do arrependimento rasgando meu ser inteiro, dilascerando cada rastro íntegro que ainda está aqui, me garante. Mas as tentações de agora não, estas não serão perdoadas, nem por Deus, nem por mim. Apenas me conduzirão ao abismo.
Pensamentos de traição, de ira, de descontrole, também aparecem bem agora. É claro que não são bem vindos, porém insistem em me fazer crer que eu ainda sou aquele de antes. Por que? O que há para resgatar de todo aquele lado mais fraco, que só me transformou em um monstro? O que eu ainda tenho que levar para mim, de verdade?
Manipulação, jogos de poder e de valor, jogos de luxúria onde cada aposta valia a própria vida. Foram jornadas inimagináveis misturando prazer e medo, o corpo elevado ao seu máximo até se tornar minimamente importante, impotente, inútil. A mim e a todas elas.
Estratégias perfeitas e com organização, precisão, disciplina. Atuação onde o palco era o próprio cotidiano, misturando os blefes mais discretamente escondidos do pôquer com as jogadas melhor elaboradas do xadrez, onde as peças eram todos os coadjuvantes. 
Por fim, completando o repugnante ser, o estímulo de sentimentos como o desejo de vingança, a perda do medo da morte e consequentemente, a tranquilidade para matar. Não que tenha precisado, mas aquele sentimento de poder ao pensar que se o fosse necessário, as técnicas teriam-no tornado pronto.
Acabou. 
De verdade, acabou, e mais do que nunca é necessário entender e compreender que o tempo é outro. É hora de tirar o sobretudo cheio de facas afiadas e pistolas rápidas e jogar no chão. Despir-se dos coletes a prova de tantos tipos de balas, abandonar aquela caixa de máscaras e caracterizações. Os livros e artigos também deverão ser queimados, tudo o que está ali escrito, e que for bom, já está aqui dentro. É hora de deixar de ser o que eu sou (ou era), e começar a ser aquilo que eu posso ser.
Está doendo muito, e essa dor é minha, não de mais ninguém. O tempo de começar a usar tudo que eu sei apenas para o bem, chegou, pra valer. Pode ser que fiquem as cicatrizes, que peço a Deus com todas as minhas forças para que estas não sejam compartilhadas com mais ninguém. Eu aguento, o que for. 
Vai valer a pena.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Fragmento



No caminho de casa, um boteco.
Boteco mesmo, daqueles com o "bêbado da casa" e o chão de cera vermelho, todo mundo sabe como é.
Nas mesinhas - de boteco - vários senhores, o mais novo ja devia ter enterrado a mãe sem dúvida.
Então, durante a caminhada, ouço um dizer pro outro:
 - Aí, João! Que cê tá me olhando? Virou alfaiate agora pra ficar tirando "minhas medida" assim, de longe?
 - Não, to olhando essa napa sua, ói que tamanho de narigão...
 - Ah bom, então ta bom!


Optar por morar no interior tem lá suas vantagens...

segunda-feira, 4 de abril de 2011

It works!

Aquela interrupção ainda continua. Constatei recentemente que o caso é pior do que eu pensava: não é só a habilidade de encaixar ali as palavras no papel, não é só a ponta do lápis que está entupida. O buraco é mais embaixo (ou mais em cima?): é a cabeça que não está conseguindo. Também. 
Mas o ponto é que mesmo com essa limitação, eu ainda tenho algo a dizer. E aí vai, do jeito que sair...

A vida é engraçada.
A vida é cheia dessas coisas de surpreender a gente.
Aquela história do cavalo da oportunidade que só passa uma vez é verdade.
E a lei da atração também funciona. 
A fé existe. E é poderosíssima quando bem utilizada.
E a lei da atração acho que precisa ter fé junto, senão não vai bem. (Quer dizer, não sei como é separar as duas, alguém sabe?)
Eu sei sobre o sensacionalismo do segredo. Mas ainda sim tem lá seu pedaço de verdade.
Deus também existe, quando a fé existe.
Funciona!
Tem que querer muito. 
Muito é bem mais do que se pode imaginar.
O bem vence.
O bem sempre vence.
A medicina é uma farsa. Mas os resultados bem sucedidos baseados no que já se pode administrar, se juntam com a fé.
A fé existe.
E funciona!
As pessoas continuam sendo bem nojentas.
As pessoas continuam fazendo maldade. Ou "des".
E a gente continua ficando mal com isso, além de sofrer com essa maldade toda. (A gente que acha que é do bem)
Se você sabe com todas as suas forças que é do bem, você ja é.
É bom ser do bem.
Continuo rezando.

terça-feira, 29 de março de 2011

Fallen


Estou passando por um momento de reconstrução interior muito intenso. Coisas que pensava que iriam me fazer bem, efetivamente me fizeram, mas estão perdendo o sentido e me deixando entorpecido. As coisas ruins também, têm causado um efeito bombástico agora, depois de tanto tempo.
Medos que eu pensava que nunca mais iria superar, estão na palma de minhas mãos prontos para serem engolidos pela minha coragem. 
Por isso a ausência, o silêncio. Ainda não estou conseguindo lidar bem com ele, e pretendia não escrever nada enquanto este momento não passasse. Quebrei minha pretensão com estes breves parágrafos, mas deixo aqui este texto (também breve) que me parece muito claro neste momento.


Se você é...

Se você é um vencedor,
terá alguns falsos amigos
e alguns amigos verdadeiros.
Vença assim mesmo.

Se você é honesto e franco,
as pessoas podem enganá-lo
Seja honesto e franco assim mesmo.

O que você levou anos para construir
Alguém pode destruir de uma hora para outra.
Construa assim mesmo.

Se você tem paz e é feliz,
As pessoas podem sentir inveja.
Seja feliz assim mesmo.

Dê ao mundo o melhor de você,
mas isso pode nunca ser o bastante.
Dê o melhor de você assim mesmo.

Veja você que, no final de tudo
Será você ... e Deus.

E não você ... e as pessoas!



*Apareceu para mim, o poema, como sendo de Madre Teresa de Calcutá. Mas duvido da vericidade dessa informação (não pela Madre, mas pela quantidade de sujeira na internet). Fica aí a curiosidade.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Por um fio



O veneno da cobra é o que produz a cura.
Meu problema está com as pessoas. Minha solução, ali também se encontra.
Os exercícios são simples. Não dá trabalho algum sentar em algum bar, com um alguém (ou vários deles), e observar, e ouvir, e pagar chopp e deixar falar. Também não me é incômodo olhar para os olhos, contar os desvios de olhar durante as mentiras, observar a respiração ofegante em um blefe ou mesmo sentir o tremor da mesa junto às pernas inquietas e, com mais um ou dois erros de português, entender quem é quem neste lugar.
Ouso dizer que não vejo impedimento em ver o que acontece na mesa ao lado (ou em várias delas, por que não?). São coquetéis de comportamentos, falas, gestos e paqueras e besteiras e verdades, e grandes paixões tão pouco levadas a sério. Todo aquele jogo que qualquer tolo me diz que conhece.
Não conhece.
Fora isso, tenho tais outros recursos, que me dão, sim, certo medo. Mas não ligo, reinvento, e lá estou.

A parte que me suja a vida é o resultado de tudo.
O nojo que vem, tão natural, sem eu mover o menor moinho. Aquela repugnância e vontade até de chorar, que disfarço entre um ou outro truque, me domina e vem corroendo, destrói este homem por dentro, dilacera qualquer vontade de ficar.
Isso sem contar que sou dotado de uma tal paciência que nem sei medir com régua: muitas voltas no planeta. Mas enquanto a enganação vence a admiração a qualquer caráter, aquele habilidade de confiar que já não existe, insiste em ter saldo negativo.

Amo trabalhar com pessoas. Mas nunca tive tanta vontade de não estar perto de ninguém.

...

O quê? Ajuda?

Não. Obrigado.

terça-feira, 1 de março de 2011

Tempo de Pausa

O tempo é de pausa.
São tantos pensamentos, uma coragem pra escrever.
Mas não sai.

Então eu penso de novo. Já que não consigo passar para o papel, nem para o teclado (juro que to tentando), me concentro nos pensamentos, nas pirações. Assim, pelo menos estes, eu faço bem.

Tentei ler, pra ver se resolvia. Mas não, minha sensibilidade - de alguma forma - está abalada. Não estou conseguindo sentir as palavras. Ou seja, não adiantou.

Mas acho que é uma fase.
Acho que vai passar.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Curioso Caso

(Imagem: blog cinematório)




"Uma mulher em Paris estava indo fazer compras, mas ela esquecera o casaco e voltou para pegá-lo. Quando ela pegou o casaco, o telefone tocou e ela resolveu atender e conversar por alguns minutos. Enquanto ela falava ao telefone, Daisy estava ensaiando para uma apresentação no Opera Hall de Paris, e enquanto ela ensaiava a mulher após o telefonema saíra para pegar um táxi. O taxista deixou um passageiro mais cedo, parou para tomar uma xícara de café, ele pegou a mulher que estava indo fazer compras e que não pegou o táxi mais cedo. O táxi teve que parar. Um homem atravessou a rua, saindo do trabalho cinco minutos mais tarde, porque esqueceu de ajustar seu despertador. Enquanto aquele homem estava atravessando a rua, Daisy terminou de ensaiar e estava tomando banho. O taxista esperava pela mulher cujo pacote ainda não fora embrulhado, por que a moça que devia embrulha-lo rompeu com seu namorado na noite anterior. E esqueceu. Quando ele estava embrulhado, a mulher tinha voltado ao táxi e foi bloqueado por um caminhão de entrega. Enquanto isso, Daisy estava se arrumando. O caminhão de entrega se afastou e o táxi pode seguir em frente, enquanto Daisy, a última a se arrumar, esperava pela amiga dela que teve o cadarço arrebentado. E enquanto o táxi estava parado esperando o sinal abrir, Daisy e sua amiga saiam pelos fundos do teatro. 
 
Se ao menos uma coisa tivesse ocorrido diferente. 
 
Se o cadarço não tivesse arrebentado, ou se o caminhão de entrega tivesse se afastando antes, ou se o pacote tivesse sido embrulhado antes, por que a moça não rompera com seu namorado. Ou se aquele homem tivesse ajustado seu despertador cinco minutos antes, ou se o taxista não tivesse parado para tomar uma xícara de café, ou se a mulher tivesse lembrado do casaco e tivesse pego o táxi mais cedo. Daisy e sua amiga teriam atravessado a rua e o táxi não teria a atropelado... Mas sendo a vida como ela é... Cheia de eventos e incidentes interligados, que não se pode controlar; aquele táxi não passou direto e o motorista teve um minuto de distração... 
 
E o táxi atropelou Daisy..."

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Simplicidade



Não entendo bem o motivo de tanta complicação em um simples viver. Talvez eu não tenha maturidade o suficiente para entender, mesmo, vai saber? Sei que questiono.

Existe mesmo a necessidade de tanta preocupação? Em um relacionamento, por exemplo. Conceitos e teorias a respeito de como é uma relação (e de como ela deve ser!), o que fazer, o que não fazer, como se portar ou fazer com que o outro pense que...hei! Devagar com isso!

A vida é sentimento. Misturado com racionalidade. Uma porção de consciência e voilá! Está pronto, não precisa nem misturar: joga tudo na travessa e deixa viver.

Sentir. Quando se sabe mesmo o gosto de um sentimento, não há por que se descabelar em loucuras, tentar entender se em um casamento um sempre tenta ser mais que o outro, se um engana porque tem tendência a trair ou se o amor acaba, o ódio não, e enfim, tantos outros teoremas. Sinta! Deixe as coisas acontecerem, mova-se pelo coração, faça o que te der vontade.

"O que impede é o medo da dor." Mas que covardia é essa? Economiza-se sentimento, bloqueando paixões - ainda que seja de uma dificuldade sem tamanho - e evitando amores, se deixa a diversão de lado com medo de se sujar, de se ralar, de se machucar.

Pensar. Para não cometer homicídios ou perder o emprego, para não gritar com ninguém numa rua que não se conhece ou ainda, para apertar o número do andar certo no elevador. Para que mais serve ser racional? Tomar as decisões na vida deve ser feito, sim, de forma racional...porém, é preciso um pouco de emoção, e para isso, leia o parágrafo anterior.

Entender. Agora sim, a mistura fica completa. Saber onde se está, e onde se quer chegar, pode ser fácil, sim! Preocupar-se demais com o que se quer ser, com quem quer estar, ou onde, para a vida inteira, é não usar a consciência de uma forma eficaz.

Se a vida é agora, queira agora! Onde estou, onde quero estar, com quem - mas hoje. Fica palpável, e passa a depender só de você. Você vai lá e faz acontecer, deita e rola sobre os incidentes, e já conseguiu. Para isso, é preciso ter certo discernimento, para não fazer besteira: se a hora é de esperar, e não de agir, então saiba esperar. E saber esperar pode ser melhor do que se imagina: somente esperar, sem botar tudo a perder, já é uma boa forma.

Agora, se você ler tudo isso e disser que "é fácil falar", então te digo: Fácil, mesmo, é fazer.

Mas tem que querer.

Querer muito.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

The Call



A madrugada passada
Passei olhando o passado
Recente passado, não ligo
Fui vendo com toda calma
Algumas situações.
Não consigo senti-las,
como sentia, há pouco
Não há mais memória do sentir.
Só que, se for pensar bem
Nem quero ela de volta
Porque hoje não faz sentido
Ter de novo tudo aquilo
Pelo que, tanto, sofri.
Quando penso em certas dores
E acho descenecessário
Tento entender, como pode?
Eu ver tudo dessa forma
Se, no dia, foi tão triste
Não lembro de eu ter superado
Mas hoje eu já sei que estou
Que estranho, por Deus, que estranho
Estar, assim, quase que ileso.
E é destas reflexões
que eu tanto precisava
que eu ainda preciso.
Preciso conversar
mas bem mais comigo mesmo
e bem mais comigo, mesmo.
Contigo posso também
Ainda que um tanto hostil
como sempre há de ser
Mas há cumplicidade
Fidelidade e força
Mais que argumentação
That's what I'm looking for
That's what I was searching for.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

No alto da montanha



Nunca foi fácil compartilhar com ninguém a existência da selva. Ninguém entenderia, antes eu pensava. Até refletir, e resolver: É hoje! Hoje eu vou falar com alguém, eu vou contar o que eu sou, eu vou falar da selva e se duvidar, até levo a pessoa lá comigo.
Ninguém entendeu.

Me senti aquele dançarino de sapateado...
...Teatro lotado, onde quase que não cabia a respiração de todos os que ali estavam. Palco pequeno, redondo, com holofotes amarelo-e-brancos ao centro, em foco.
Eis que ele chega: Moço magrinho das pernas finas e o tronco rigidamente ereto, calçando seus sapatos pretos impecáveis. E seu show começa: o artista sente a energia vindo de dentro pra fora, abre os olhos apenas por alguns segundos e fita cada um dos olhares que ali estão, sem tirar um, até que fecha os olhos e aquela energia toda cria um vínculo inquebrável entre a sola de seus pés e a palmilha de seus sapatos, permitindo-o dançar e criar mil frases, e gestos, fazendo seus sapatos pretos e brilhantes cantarem melodias e rítmicas doces e intensas.
Mas ninguém entende...

Tudo estava tranquilo na selva...por cima das árvores enormes e das folhas - das grandes e das pequenas - havia um céu azul lindíssimo.
Caminhando pelas trilhas, percebi que a calmaria não era aquela que precede a guerra, o transtorno. Era apenas um momento de paz, que tomou conta de cada poro de cada ser que ali vive, e trouxe um ambiente leve, com cheiro bom e com a brisa do jeitinho que deve ser.
Tive uma idéia!
Corri feito uma criança inocente e bobca - as da minha época, ressalto - que vai atrás de uma pipa, não importa onde. Segui pelas trilhas que conheço tão bem e cheguei onde mais queria: A montanha mestre.

A montanha mestre é um lugar onde eu posso ver tudo, tudo o que está ocorrendo na selva, em visão privilegiada: ela é alta e, sentado em seu topo, estou acima das nuvens. E quando nao há nuvens então, melhora, porque estou tão mais alto que posso ver cada folha que se move, e pra onde move.
Subir até o topo não é, lá, tarefa fácil. Certa vez tentei construir uma estrutura que me levasse facilmente até lá, mas veio uma tempestade e destruiu tudo. Ja entendi que não deve ser fácil assim chegar a um lugar de tanta paz.

E ali fiquei. Por horas. E aqui estou, olhando todo o meu ambiente, e lembrando de cada pequena história que passei aqui nesta selva: Lutas e batalhas, momentos de fuga e esconderijo, grandes guerras de destruir tudo que está em volta...e me sinto bem. Fui eu que construí e reconstruí tudo isso, do jeito que é hoje, com aquilo que recebi quando a selva nasceu.
Sempre foi assim, e sempre vai ser: só depende de mim.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

23° 32' 52" S 46° 38' 09" O



Me leva daqui, que hoje eu quero sair.
Hoje eu quero ver a rua
Quero ver a lua
Por detrás das nuvens
E arranha-céus

Prometo que não dou trabalho
Só quero mexer com as meninas
Paradas lá nas esquinas
Da nossa saudosa augusta
Da nossa consolação

Preciso respirar ar puro
Que me traz pigarra e tosse
Mas que, se acendo um cigarro
E abaixo o vidro do carro
Cai também o pudor

Me leva pra grande casa
Pra eu ver a namorada
Que diz que está com saudade
Ah, que amor mais louco
Juízo, eu pedia, eu lembro

Me tira aqui do buraco
Me tira da ponta do estado
Que eu quero estar la no meio
Quero ouvir música estranha
Quero tiros nos becos
Quero ganhar dinheiro
Quero gastar todo ele
Comprar tudo, a barganha
Quero correr perigo
Mas quero estar ali.

Só hoje.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Reminiscência

Por Ziraldo
Extraído do site: Releituras



Nasci numa pequena cidade de Minas. Até aí nada demais. Muita gente nasce em cidades pequenas, distantes e quietas. Seria feliz, de qualquer maneira, se quem lê neste instante pudesse saber a alegria que existe em se nascer num lugar assim, em que as ruas pequenas e estreitas, as altas palmeiras, a água macia da chuva que cai sempre, as muitas estrelas e a lua, as pedrinhas das calçadas, a meninada, a carteira da sala de aula, a mestra e mais uma quantidade destas lembranças simples sejam, mais tarde, influências reais na vida da gente. Na vida de quem, afinal, preferiu enfrentar a cidade grande: as águas desse mar, a luz dessas lâmpadas frias, a sala fechada, triste e sem perspectivas em que se ganha a vida, a cadeira quente e insegura das tardes de ir e vir — pura fadiga — das empresas, a luta, a dura luta de ser alguém, um peixe grande em mar estranhamente grande. A verdade é que, um dia, a pensar e refletir na grama macia da pracinha da matriz, a criança decidiu sair.

E a estrada se abriu a sua frente. Vir era uma idéia. Fixa. Caminhar era fácil.

A chegada: a rua imensa, as buzinas, as luzes, sinal verde, aquela cidade grande, grande ali, na sua frente. Cada face, cada ser que passava — pra lá e pra cá — inquietamente, tanta gente, suada, apressada, sem alegria, sem alma, a alma cerrada, enrustida, cada triste surpresa era a chegada.

Cheguei. Um táxi. A mala. As esquinas. Está bem, mas, que fazer? Sentei e pensei. Pela janela da casa alta vai a vida. Seria a vida? E disse a primeira frase na cidade grande, as primeiras palavras diante da grande luta e as palavras eram: Meu Deus, que saudade! E nem um dia me separava da pracinha da matriz. Cada dia que, a seguir, vi passar, esqueci.

Diante da máquina, neste instante, há uma distância imensa entre aquele dia na missa cantada na minha igrejinha e este dia em que, diante de mim, diante de minha mulher e da minha casa feita de cidade grande, minhas filhas brincam de ser gente grande.

E elas. Que vai ser delas? Sem palmeiras, sem um pai de ar grave; sem entender a chuva a cair em jardins humildes, nas margaridas branquinhas; sem entender de lua e de estrelas — que céu aqui, pra se ver nem se vê —, sem brincar na lama das ruas, a lama das chuvas, casca de palmeira, descer as barracas, nadar sem mamãe saber, nas águas escuras, fim de quintal, quintal, quintal? sem quintal? pedrinha de calçada, marcar a canivete sua inicial na carteira da sala. Ainda bem que nasceram meninas.

Já é diferente. Será que é? Sei lá. Entre a chegada e este instante, lembrança nenhuma. Sei que cheguei.

E sei mais: que esta página está é uma grande besteira, dura de cintura, sem graça, uma m... Já se vê que quem nasceu para caratinguense nunca chega a Rubem Braga. E também tem mais: Quem é capaz de escrever uma página literária decente — igual a essa (?) — sem usar uma vez sequer a letra O? Leiam mais uma vez. Atentamente. Se tiver um — além deste aí em cima — eu como!

--

Obs.: Obrigado, querido Velho!

domingo, 6 de fevereiro de 2011

"V"




"Voilà! À vista, um humilde veterano vaudevilliano, apresentado vicariamente como ambos vítima e vilão pelas vicissitudes do Destino. Esta visagem, não mero verniz da vaidade, é ela vestígio da vox populi, agora vacante, vanescida, enquanto a voz vital da verossimilhança agora venera aquilo que uma vez vilificaram. Entretanto, esta valorosa visitação de uma antiga vexação, permanece vivificada, e há votado por vaporizar estes venais e virulentos verminados vanguardeiros vícios e favorecer a violentamente viciosa e voraciosa violação da volição. O único veredito é a vingança, uma vendeta, mantida votiva,não em vão, pelo valor e veracidade dos quais um dia deverão vindicar os vigilantes e os virtuosos. Verdadeiramente, esta vichyssoise de verbosidade vira mais verbose vis-a-vis uma introdução, então é minha boa honra conhecê-la e você pode me chamar de V."

E a minha preferida:
"Por debaixo desta máscara não há só carne e osso, mas idéias. E idéias, são a prova de balas"

Bonus:

"My turn"


Ambas, do filme "V de Vingança".

*Me perdoem se não for o texto original, mas encontrei diferentes versões para ambas, e procurei postar as que considerei mais próximas do que lembro ter ouvido no filme.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Thy will be done



Tem gente que chega perto, até bem perto, vamos dizer. Mas, ainda sim, não entende.
Estou começando a acreditar que não encontrarei nunca alguém que me ouça tão bem, e que esteja fora do meu espelho.
Mas eu, ainda sim, insisto em tentar.

De repente todos os sonhos me convencem que ficarão onde devem estar. Me lembram o que é claro e evidente: ainda são. Sonhos.
Os objetivos que moviam com força corpo e alma, tornam-se não mais tangíveis. Exibem suas inúmeras formas e possibilidades agora num quadro no fim do corredor, que é longo. Longo mesmo.
A vontade e a ânsia de conquistar são bruscamente barradas por uma parede rija e imensa que aparece frente a meu peito, que se choca. Frente a meu rosto, que se fere. E meu coração, que recebe uma corda com nó duplo a apertar e repuxar de cada um dos lados, tornando-o arrítmico e pálido. Quase insustentável pelo sangue espesso que passa a correr, sem direção.

Sozinho, como se eu pudesse mesmo controlar alguma coisa, grito: " - Não me impeça!".
Tenho uma ambição em resolver, em fazer acontecer, em trazer para mim a responsabilidade. Desenvolvi esta forma de ser e de viver porque sei que assim não tenho impedimentos: é meu, e eu vou fazer.
Certa vez uma amiga me disse: " - Hei, vá com calma, você não precisa resolver tudo!".
Não entendi e até reprovei. Como ousa?
Mas no fundo, ela quase que tem razão. Ou tem, e eu não explorei direito. A verdade é que eu não consigo resolver tudo.

Tentei, em um momento de pânico, encontrar uma desculpa. Eu preciso de um motivo, uma obrigação, um impacto. Algo que me faça mudar todo o curso, sair do rumo dos planos, e desta forma moldar tudo direitinho do jeito que eu quiser e assim chegar lá. Lá onde? Lá, onde eu quiser.
Mas a verdade me veio à tona a me alertar o quanto serei fraco e mesquinho ao me enganar desta maneira. O quanto vou mascarar uma realidade e tirar meus pés no chão. Que vá pro lixo a roupa que coloquei na felicidade.

Eis que abri a Bíblia em uma página aleatória, como costumo fazer. Em um momento de desespero após uma noite de pesadelos e com a carga da realidade sobre os ombros, eu sabia que precisaria.
Após o sinal da cruz, recebi a mensagem com calma: "Seja feita a vontade do Senhor".

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Punisher



Passei a noite toda sentado em minha poltrona no canto da sala. Luz apagada, apenas a pequena mesa redonda à minha frente, com um abajur aceso já que estávamos sem lua. Eu, e meu caminheiro uísque.

Abaixo da luz do abajur, minhas pistolas e meus silenciadores. Facas, embora eu não seja tão bom com elas, e alguns acessórios. Passei a noite toda olhando e pensando o que e como usar, apenas sabendo quando: pela manhã.

Quando a manhã chegou, havia uma neblina fria e uma chuva fina que não parecia querer parar. Ótimo, pensei. Vesti meu casaco e dentro dele coloquei duas pistolas no colete, duas na cintura (preparadas para serem retiradas dali com minhas mãos cruzadas, do jeito que eu gosto), e uma na perna esquerda. Superstição? Não, é que só pretendo utilizá-la caso meu lado direito seja ferido, pouco provável, confesso. Resolvi levar apenas uma faca, pois é o que eu ia precisar. Esta vai no bolso de fora.

Cheguei no endereço certo, toquei o interfone:
 - Pois não
 - Estou procurando negócios
 - Pode subir
E a trava eletrônica se abriu. Típico.

Após travar a porta uma escadaria longa feito um corredor. Fiz o sinal da cruz e subi. Não pretendia perder muito tempo. Avaliei o local: três salas, duas com portas abertas e uma porta fechada. As portas eram de madeira, daquelas antigas que fazem um barulhão quando se movimentam, e o chão de um assoalho aparentemente original. Um homem na sala na reta da escada, e o homem que eu procurava na outra sala, sozinho.

Abri a sala com a porta fechada: "Com licença". Não havia ninguém, perfeito.

Fui até a sala do outro homem. Antes de abrir a porta, coloquei a mão direita por dentro do paletó e retirei a pistola silenciosa do lado esquerdo. Ainda com a mão por dentro, coloquei a cara na porta:
 - Olá, estou aqui para fazer negócios com Romeu Hernandez.
 - A outra sala, por f...
Atirei. Bem no meio da testa, ainda estou bom nisso.

O tiro não fez barulho, mas o impacto jogou o homem e sua cadeira para trás, assustando meu homem, que levantou para ver o que estava acontecendo. Me escondi na beirada da porta, e assim que ele atravessou com seu terno barato e um Hanover bem mal-feito na gravata, acertei-o com um golpe e rapidamente cravei a faca em sua perna direta, já no chão.

Hernandez, assustado, exibiu uma expressão de medo que me arrepiou de satisfação. Eu gosto de lidar com filho da puta.
 - E..eu...eu te conheço de...AHHH...de algum lugar
 - Espero que se lembre bem daquele bar, porque é a última lembrança que você vai ter de mim. Manhã cinza pra morrer, não?
 - AHHHHH...está doendo, o que você quer?
 - Não ouse tirar essa faca da sua perna, ou a hemorragia vai fazer você morrer aqui mesmo.
 - O que você quer?
 - Me libertei do que é sujo pra limpar a sujeira. O que você fez com Doralice não se faz com ninguém. Muito menos com Doralice.
 - Isso já passou, já passou! O que você...AHHHH...você quer o dinheiro, eu te arranjo.
Acertei um golpe com a sola do meu sapato na perna da faca.
 - AHHHHHH...!
 - Cale a boca, seu imundo. Suas promessas funcionaram com Doralice, suas enganações. Mas não comigo. Não quero nada, não tem volta. Vim aqui pelo prazer de ver esse medo e essa dor correndo no branco dos teus olhos.
 - Vá...AHHH...vá embora, você ja tem o que quer, vá
 - Só mais uma coisa, trouxe um presente da Dora pra você...
 - Como é?
Retirei as duas pistolas da cintura e atirei, ao mesmo tempo, uma bala em cada olho.

Queria te-lo feito sofrer mais, aquele rato merecia. Mas deixa ele sofrer agora no inferno, enquanto eu limpo minha faca com esse sangue podre em seu terno.

Já disse e insisto: não sou policial. Mas não gosto de bandidos.
Muito menos, mas muito menos, deste tipo.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Em silêncio


Lembro de quando combinamos assim: eu acredito que você pode me salvar. E para isso, preciso soltar cada um dos demônios que crio aqui dentro e, prevendo que eles irão se voltar contra mim, preciso lutar. Lutar e vencer.

Você me deu a luz. Me deu com ela a força, não para atacar, mas para resistir aos golpes. E funcionou, por isso, agradeço. Mas não era tudo, e eu nem sabia que faltava tanto.

Se você me disser que o resto é comigo, eu vou com certeza te dizer que já sabia. Não por orgulho, mas por saber mesmo. Com a luz você me deu muita coisa boa, sabe?

Mas voltando aos demônios, ainda não venci nenhum. Sei que faz só alguns meses, mas assim, ainda estou aprendendo, me perdoe. Mas até que dei umas pancadas fortes nos menores, insisto, aprendendo, aprendendo.

O problema mesmo é quando o mais forte dos demônios aparece: aquele, da sujeira. Não sei por que cargas d'água, um dia, fui alimentar esses bixos.

Agora volta e meia me aparece esse monstro a me lembrar o quanto de sujeira ainda existe em mim, e o quanto eu não posso com ele. Será que não vou conseguir vencê-lo enquanto não estiver em paz integralmente? Mas se eu estou lutando para ter paz, então parece que cheguei em uma recursividade complicada. Melhor mudar de pensamento, ou não sobreviverei.

Me ajude, pois sozinho eu não consigo. Semear com lágrimas não tem me parecido garantia de ceifar com júbilo, e embora eu não precise de garantias, eu preciso de ajuda. Eu imploro.

Só a Ti.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Meio Fio

Por Rita Lee e Arnaldo Antunes

Onde quer que eu vá
Levo em mim o meu passado
E um tanto quanto do meu fim
Todos os instantes que vivi
Estão aqui
Os que me lembro e os que esqueci...
Carrego minha morte
E o que da sorte eu fiz
O corte e também a cicatriz

Mas sigo meu destino
num yellow submarino
Acendo a luz que me conduz
E os deuses me convidam...

Para dançar no meio fio
Entre o que tenho e o que tenho que perder
Pois se sou só
É só flutuando no vazio
Vou dando voz ao ar que receber

Pra ficar comigo
Corro salto, me equilibro
Entre minha neta e minha vó
Fico feliz, sigo adiante ante o perigo
Vejo o que me aflige virar pó
As vezes acredito em mim
As vezes não acredito
Também não sei se devo duvidar


sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O jogo



O céu estrelado prometia um dia lindo. E cumpriu.

O céu não costuma falhar.

Com os ares de um vento bom, a cidade amanheceu mais leve. Os ruídos do dia-a-dia não eram mais aquelas buzinas irritadas ou as cantadas de pneu no chão molhado de chuva, mas sim, o passear dos carros ajudando a compor uma sinfonia entre saudações de bom dia e balançar de árvores.

Acordei com vontade de levantar, fiz o sinal da cruz e olhei para o espelho. Enquanto vestia a roupa, pensei em você, tomando seu café cada vez mais viciante e encantadoramente pronta para sair. Melhor eu me vestir bem, meu ego não vai me deixar te ver se não estiver assim.

Tudo está limpo, perfumado, e cheio de paz por aqui. Na caminhada para o trabalho, faço questão de rezar por todos. Mas o faço um por um. Estou tão acostumado com as brigas com as trevas, que se pudesse, daria toda essa paz dividida a quem eu achasse necessário. Eu gosto das pessoas, eu gosto de gente, e eu aposto em todos eles.

Durante as apresentações, elogios e reconhecimento. Em meio a sorrisos, saio da sala satisfeito. Na caixa de mensagens, palavras carinhosas de uma pessoa especial. Que faz falta imensurável.

"Que fase", penso. Instabilidade bipolar seria uma boa descrição, mas não é nome de doença moderna, é ritmo de vida. Nada a ver com emoção. Fatos, destino, jogo. O jogo.

E não tenho medo da tempestade, haja vista estar em meio a tanta tranquilidade. Não vou me preocupar com a bagunça, mas sim, deixar as coisas acontecerem. E assim quando ela chegar, eu vou e enfrento, de olhos abertos.

Entendo que não pode ser que ela não chegue, mas prefiro assim, uma coisa de cada vez. Essa é minha estratégia.

Hoje.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

O cravo não brigou com a rosa

Por Luís Antônio Simas

"Chegamos ao limite da insanidade da onda do politicamente correto. Soube dia desses que as crianças, nas creches e escolas, não cantam mais O cravo brigou com a rosa. A explicação da professora do filho de um camarada foi comovente: a briga entre o cravo - o homem - e a rosa - a mulher - estimula a violência entre os casais. Na nova letra "o cravo encontrou a rosa/ debaixo de uma sacada/ o cravo ficou feliz/ e a rosa ficou encantada".
Que diabos é isso? O próximo passo é enquadrar o cravo na Lei Maria da Penha. Será que esses doidos sabem que O cravo brigou com a rosa faz parte de uma suíte de 16 peças que Villa Lobos criou a partir de temas recolhidos no folclore brasileiro?
É Villa Lobos, cacete!
Outra música infantil que mudou de letra foi Samba Lelê. Na versão da minha infância o negócio era o seguinte: "Samba Lelê tá doente/ Tá com a cabeça quebrada/ Samba Lelê precisava/ É de umas boas palmadas". A palmada na bunda está proibida. Incita a violência contra a menina Lelê. A tia do maternal agora ensina assim: Samba Lelê tá doente/ Com uma febre malvada/ Assim que a febre passar/ A Lelê vai estudar.
Se eu fosse a Lelê, com uma versão dessas, torcia pra febre não passar nunca. Os amigos sabem de quem é Samba Lelê? Villa Lobos de novo. Podiam até registrar a parceria. Ficaria assim: Samba Lelê, de Heitor Villa Lobos e Tia Nilda do Jardim Escola Criança Feliz.
Comunico também que não se pode mais atirar o pau no gato, já que a música desperta nas crianças o desejo de maltratar os bichinhos. Quem entra na roda dança, nos dias atuais, não pode mais ter sete namorados para se casar com um. Sete namorados é coisa de menina fácil. Ninguém mais é pobre ou rico de marré-de-si, para não despertar na garotada o sentido da desigualdade social entre os homens.
Dia desses alguém (não me lembro exatamente quem se saiu com essa e não procurei a referência no meu babalorixá virtual, Pai Google da Aruanda) foi espinafrado porque disse que ecologia era, nos anos setenta, coisa de viado. Qual é o problema da frase? Ecologia, de fato, era vista como coisa de viado. Eu imagino se meu avô, com a alma de cangaceiro que possuía, soubesse, em mil novecentos e setenta e poucos, que algum filho estava militando na causa da preservação do mico leão dourado, em defesa das bromélias ou coisa que o valha. Bicha louca, diria o velho.
Vivemos tempos de não me toques que eu magoo. Quer dizer que ninguém mais pode usar a expressão coisa de viado? Que me desculpem os paladinos da cartilha da correção, mas isso é uma tremenda babaquice. O politicamente correto é a sepultura do bom humor, da criatividade, da boa sacanagem. A expressão coisa de viado não é, nem a pau (sem duplo sentido), ofensa a bicha alguma.
Daqui a pouco só chamaremos o anão - o popular pintor de roda-pé ou leão de chácara de baile infantil - de deficiente vertical. O crioulo - vulgo picolé de asfalto ou bola sete (depende do peso) - só pode ser chamado de afrodescendente. O branquelo - o famoso branco azedo ou Omo total - é um cidadão caucasiano desprovido de pigmentação mais evidente. A mulher feia - aquela que nasceu pelo avesso, a soldado do quinto batalhão de artilharia pesada, também conhecida como o rascunho do mapa do inferno - é apenas a dona de um padrão divergente dos preceitos estéticos da contemporaneidade. O gordo - outrora conhecido como rolha de poço, chupeta do Vesúvio, Orca, baleia assassina e bujão - é o cidadão que está fora do peso ideal. O magricela não pode ser chamado de morto de fome, pau de virar tripa e Olívia Palito. O careca não é mais o aeroporto de mosquito, tobogã de piolho e pouca telha.
Nas aulas sobre o barroco mineiro, não poderei mais citar o Aleijadinho. Direi o seguinte: o escultor Antônio Francisco Lisboa tinha necessidades especiais... Não dá. O politicamente correto também gera a morte do apelido, essa tradição fabulosa do Brasil.
O recente Estatuto do Torcedor quer, com os olhos gordos na Copa e 2014, disciplinar as manifestações das torcidas de futebol. Ao invés de mandar o juiz pra putaqueopariu e o centroavante pereba tomar (...), cantaremos nas arquibancadas o allegro da Nona Sinfonia de Beethoven, entremeado pelo coro de Jesus, alegria dos homens, do velho Bach.
Falei em velho Bach e me lembrei de outra. A velhice não existe mais. O sujeito cheio de pelancas, doente, acabado, o famoso pé na cova, aquele que dobrou o Cabo da Boa Esperança, o cliente do seguro funeral, o popular tá mais pra lá do que pra cá, já tem motivos para sorrir na beira da sepultura. A velhice agora é simplesmente a "melhor idade".
Se Deus quiser morreremos, todos, gozando da mais perfeita saúde. Defuntos? Não. Seremos os inquilinos do condomínio Cidade do pé junto".

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Carolina



Cuido com carinho
Cada curva, Ceio
Cerrando caminhos
Com clemência, creio

Chama, corpo, cifra
Cobram, coagindo
Coibem cobiças
Clamam, comovidos

Comunga, chupa, cupula
Consuma, Carolina
Comenta, cita, circula
Conquistando, contamina

Concomitantemente
Concretizo, comparo, cursos
Conjugando calmamente
Condenso, cicatrizo, cruzo.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

2045



 - Mas vô, como assim, selva?!

 - É, minha jovem, era lá que eu estava. A "Selva dos pensamentos", como eu já costumei dizer em alguns momentos, era meu refúgio. Não me sentia exatamente protegido lá - as vezes até pelo contrário, eu diria - mas ali eu me sentia eu mesmo, com todas as minhas vontades, meus anseios, bem como meus sonhos e a própria realidade. Tudo isso a flor da pele.

 - Nossa, vô, tô adorando!

 - Sabe, pequena, passei por muitos momentos de solidão em minha vida. Hoje, dentro dessa casca aqui de velho, sei que ainda existe o Lenhador pronto para desbravar toda consciência. Embora talvez enfraquecido pelas marcas do tempo, a velocidade de raciocínio e a capacidade de responder aos estímulos diminuíram, porém nunca a percepção ou mesmo o sentimento. Estes, são meus, pra sempre.

 - Eu também quero conhecer essa selva, também quero conhecer o Lenhador, me conta uma história de lá, me conta?

 - Tudo bem, anjo, tudo bem. Vou te contar um dos episódios mais incríveis - se não for o mais incrível de todos eles. O dia em que eu a vi, lá dentro...

 - A viu? viu quem?

 - Escute, escute...

"Era entardecer e eu estava com a cabeça muito tranquila. Na calçada, conversando com a família - coisa que não se vê mais hoje, infelizmente. Tinha saído da selva na noite anterior, quando foi anunciada a mudança: Fui até lá, vi que as coisas estavam sem vida, sem um propósito determinado. Até eu anunciar a mudança, e perceber que tudo começou a se mover em grande escala: transformação.
Tomei uísque e ouvi música boa naquela noite, com um velho amigo. Falecido hoje, com o pesar o tempo. Após os momentos, pedi para que ele me deixasse em uma das ruas principais da cidade, tinha um encontro. Chegando lá, tive uma das sensações mais intensas e confusas da minha vida: eu a vi. Não era a pessoa que eu iria me encontrar, mas estava exatamente ao lado.
Ao ver o seu sorriso, não podia acreditar que estava acontecendo. Talvez por não estar preparado, ou talvez por estar mas não saber direito como agir, me deu um susto e tanto.
No primeiro sorriso, nossos olhares se fixaram e por alguns segundos (que na hora se converteram em horas), permaneceram. Então foi que achei necessário atravessar o portal e ir até a selva, para entender direito aquilo tudo.
Chegando lá, é que vi a coisa mais impressionante que poderia ter acontecido: Havia uma luz muito forte, clara, vindo lá de dentro. Conforme fui chegando mais perto, pude sentir uma tranquilidade penetrando meus poros e invadindo meu coração. Só conseguia admirar aquela luz, que olhando atentamente, passava tal tranquilidade e segurança para os pensamentos que ali rondavam.
Meus exércitos, em posição de descanso, sentiam aquele bem estar enquanto também admiravam sua presença e ouviam seu canto, que era uma canção amorosa, pura, doce.
Não resisti: me entreguei a essa sensação, caminhei em direção da luz e mergulhei naquela que foi uma das experiências mais incríveis de 'entrega' que pude viver."

 - Uaaaaau! Mas a pessoa, dos olhos, a luz em si? Onde está hoje?
 - ...

 - Na selva, menina...na selva.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Amadurecer



Estou com medo.
Na verdade, sei que não há, assim, motivo tão agravante que me ameace. Porém, toda minha segurança, tem sido abalada facilmente.
Sabe, desconfio do que está acontecendo. Houve uma fase de grande audácia, de insolência. Esta fase durou o tempo necessário que teria que durar, principalmente, porque eu realmente estava em condições: possuía uma liberdade que muito me agradava.
Hoje, não. Hoje não estou mais tão livre.
Não tenho muitos amigos, nem lá muitos companheiros de verdade. Colegas eu tenho aos montes, faz parte desse meu jeito.
Dependo de algumas pessoas, e do âmago do meu ser, eu posso dizer: como eu odeio depender de coisas, de pessoas, até de fatos.
E agora nesta fase de menor imponência, minha guarda baixou. Aquela segurança e pseudo-auto-suficiência foi embora, deixando apenas o que deveria ficar. O Lenhador, em essência.
Os pés estão entre o chão e o infinito, não mais voando por aí, e a cabeça está entre o real e a selva. Bem no meio. O coração sofre sozinho, mesmo banhado em amor. Além do corpo, que emagrece e se mantém, num metabolismo estranho.
Isso é imaturidade. Mas isso não é triste.

Porque este é o caminho para o avesso dessa dor.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Porto Solidão



Só para que saibam o clima que estou vivendo.

*Não reparem no vídeo, só a música ja basta.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

It starts



Talvez seja maldição. Ou a negatividade, energia cósmica, conectividade espiritual sendo utilizada em raízes maléficas.
Não sei.
O que sei é que este míssil estourou meu escudo - que fica em meu peito - e invadiu aquilo que era minha fortaleza.
O que quer que seja, que está me atacando, sabia que a estratégia já usada em Tróia não iria funcionar. Não é fácil entrar aqui. Então optou por um método que poderia ser eficaz.
Conseguiu.
Destruiu minhas defesas, derrubou os sentinelas e entrou.

Ai.

Tenho exércitos poderosos, eu bem sei. A Consciência quando aliada à racionalidade pode fazer um estrago, quando para o mal, e pode fazer grandes feitos, quando para o bem.
Dei o comando para que fossem a campo, porém não sei o que houve, mas algo parecido com um gás venenoso ou talvez espelhos invertidos confundiu completamente o que ainda era pensamento. Idéias, aflições e reflexões começaram a serem produzidos de forma incontrolável e pior: cruelmente conflitando entre si.

Uísque.

Com algumas doses de uísque e uma certa musicalidade, consegui despertar as grandes deusas que estavam adormecidas: Calma, Paciência e Compreensão. Estas se uniram e trouxeram fragmentos de paz para o ambiente e, embora temporários, ajudaram a apagar as chamas das explosões.
Agora o que tenho é aquilo que chamam de guerra em silêncio: o mal está á volta tentando encontrar uma maneira de atacar, e os exércitos estão bem posicionados para se defenderem.

Dói.

Não é possível se reconstruir neste momento, mas apenas, administrar a situação e esperar as coisas se acalmarem. Não sei quanto tempo isso pode levar, por isso eu rezo dia após dia, para que uma Força Maior possa atuar - como sempre atua - e trazer alguma paz.

Respirar e Esperar. Por enquanto, é respirar, e esperar.