quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Punisher



Passei a noite toda sentado em minha poltrona no canto da sala. Luz apagada, apenas a pequena mesa redonda à minha frente, com um abajur aceso já que estávamos sem lua. Eu, e meu caminheiro uísque.

Abaixo da luz do abajur, minhas pistolas e meus silenciadores. Facas, embora eu não seja tão bom com elas, e alguns acessórios. Passei a noite toda olhando e pensando o que e como usar, apenas sabendo quando: pela manhã.

Quando a manhã chegou, havia uma neblina fria e uma chuva fina que não parecia querer parar. Ótimo, pensei. Vesti meu casaco e dentro dele coloquei duas pistolas no colete, duas na cintura (preparadas para serem retiradas dali com minhas mãos cruzadas, do jeito que eu gosto), e uma na perna esquerda. Superstição? Não, é que só pretendo utilizá-la caso meu lado direito seja ferido, pouco provável, confesso. Resolvi levar apenas uma faca, pois é o que eu ia precisar. Esta vai no bolso de fora.

Cheguei no endereço certo, toquei o interfone:
 - Pois não
 - Estou procurando negócios
 - Pode subir
E a trava eletrônica se abriu. Típico.

Após travar a porta uma escadaria longa feito um corredor. Fiz o sinal da cruz e subi. Não pretendia perder muito tempo. Avaliei o local: três salas, duas com portas abertas e uma porta fechada. As portas eram de madeira, daquelas antigas que fazem um barulhão quando se movimentam, e o chão de um assoalho aparentemente original. Um homem na sala na reta da escada, e o homem que eu procurava na outra sala, sozinho.

Abri a sala com a porta fechada: "Com licença". Não havia ninguém, perfeito.

Fui até a sala do outro homem. Antes de abrir a porta, coloquei a mão direita por dentro do paletó e retirei a pistola silenciosa do lado esquerdo. Ainda com a mão por dentro, coloquei a cara na porta:
 - Olá, estou aqui para fazer negócios com Romeu Hernandez.
 - A outra sala, por f...
Atirei. Bem no meio da testa, ainda estou bom nisso.

O tiro não fez barulho, mas o impacto jogou o homem e sua cadeira para trás, assustando meu homem, que levantou para ver o que estava acontecendo. Me escondi na beirada da porta, e assim que ele atravessou com seu terno barato e um Hanover bem mal-feito na gravata, acertei-o com um golpe e rapidamente cravei a faca em sua perna direta, já no chão.

Hernandez, assustado, exibiu uma expressão de medo que me arrepiou de satisfação. Eu gosto de lidar com filho da puta.
 - E..eu...eu te conheço de...AHHH...de algum lugar
 - Espero que se lembre bem daquele bar, porque é a última lembrança que você vai ter de mim. Manhã cinza pra morrer, não?
 - AHHHHH...está doendo, o que você quer?
 - Não ouse tirar essa faca da sua perna, ou a hemorragia vai fazer você morrer aqui mesmo.
 - O que você quer?
 - Me libertei do que é sujo pra limpar a sujeira. O que você fez com Doralice não se faz com ninguém. Muito menos com Doralice.
 - Isso já passou, já passou! O que você...AHHHH...você quer o dinheiro, eu te arranjo.
Acertei um golpe com a sola do meu sapato na perna da faca.
 - AHHHHHH...!
 - Cale a boca, seu imundo. Suas promessas funcionaram com Doralice, suas enganações. Mas não comigo. Não quero nada, não tem volta. Vim aqui pelo prazer de ver esse medo e essa dor correndo no branco dos teus olhos.
 - Vá...AHHH...vá embora, você ja tem o que quer, vá
 - Só mais uma coisa, trouxe um presente da Dora pra você...
 - Como é?
Retirei as duas pistolas da cintura e atirei, ao mesmo tempo, uma bala em cada olho.

Queria te-lo feito sofrer mais, aquele rato merecia. Mas deixa ele sofrer agora no inferno, enquanto eu limpo minha faca com esse sangue podre em seu terno.

Já disse e insisto: não sou policial. Mas não gosto de bandidos.
Muito menos, mas muito menos, deste tipo.

2 comentários:

José Sousa disse...

Penso que é a primeira vez que venho até seu espaço. O que li, aqui, gostei e vou ser seu seguidor. Seja meu tembém em:
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Um abração e tudo de bom.

Menina no Sotão disse...

Confesso que o momento da sola do sapato batendo na faca me deu arrepios. Gente má, credo. rs
O bom da ficção é que a gente não precisa ser hipocrita. kkkkkkkkkk
bacio