domingo, 20 de fevereiro de 2011

Curioso Caso

(Imagem: blog cinematório)




"Uma mulher em Paris estava indo fazer compras, mas ela esquecera o casaco e voltou para pegá-lo. Quando ela pegou o casaco, o telefone tocou e ela resolveu atender e conversar por alguns minutos. Enquanto ela falava ao telefone, Daisy estava ensaiando para uma apresentação no Opera Hall de Paris, e enquanto ela ensaiava a mulher após o telefonema saíra para pegar um táxi. O taxista deixou um passageiro mais cedo, parou para tomar uma xícara de café, ele pegou a mulher que estava indo fazer compras e que não pegou o táxi mais cedo. O táxi teve que parar. Um homem atravessou a rua, saindo do trabalho cinco minutos mais tarde, porque esqueceu de ajustar seu despertador. Enquanto aquele homem estava atravessando a rua, Daisy terminou de ensaiar e estava tomando banho. O taxista esperava pela mulher cujo pacote ainda não fora embrulhado, por que a moça que devia embrulha-lo rompeu com seu namorado na noite anterior. E esqueceu. Quando ele estava embrulhado, a mulher tinha voltado ao táxi e foi bloqueado por um caminhão de entrega. Enquanto isso, Daisy estava se arrumando. O caminhão de entrega se afastou e o táxi pode seguir em frente, enquanto Daisy, a última a se arrumar, esperava pela amiga dela que teve o cadarço arrebentado. E enquanto o táxi estava parado esperando o sinal abrir, Daisy e sua amiga saiam pelos fundos do teatro. 
 
Se ao menos uma coisa tivesse ocorrido diferente. 
 
Se o cadarço não tivesse arrebentado, ou se o caminhão de entrega tivesse se afastando antes, ou se o pacote tivesse sido embrulhado antes, por que a moça não rompera com seu namorado. Ou se aquele homem tivesse ajustado seu despertador cinco minutos antes, ou se o taxista não tivesse parado para tomar uma xícara de café, ou se a mulher tivesse lembrado do casaco e tivesse pego o táxi mais cedo. Daisy e sua amiga teriam atravessado a rua e o táxi não teria a atropelado... Mas sendo a vida como ela é... Cheia de eventos e incidentes interligados, que não se pode controlar; aquele táxi não passou direto e o motorista teve um minuto de distração... 
 
E o táxi atropelou Daisy..."

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Simplicidade



Não entendo bem o motivo de tanta complicação em um simples viver. Talvez eu não tenha maturidade o suficiente para entender, mesmo, vai saber? Sei que questiono.

Existe mesmo a necessidade de tanta preocupação? Em um relacionamento, por exemplo. Conceitos e teorias a respeito de como é uma relação (e de como ela deve ser!), o que fazer, o que não fazer, como se portar ou fazer com que o outro pense que...hei! Devagar com isso!

A vida é sentimento. Misturado com racionalidade. Uma porção de consciência e voilá! Está pronto, não precisa nem misturar: joga tudo na travessa e deixa viver.

Sentir. Quando se sabe mesmo o gosto de um sentimento, não há por que se descabelar em loucuras, tentar entender se em um casamento um sempre tenta ser mais que o outro, se um engana porque tem tendência a trair ou se o amor acaba, o ódio não, e enfim, tantos outros teoremas. Sinta! Deixe as coisas acontecerem, mova-se pelo coração, faça o que te der vontade.

"O que impede é o medo da dor." Mas que covardia é essa? Economiza-se sentimento, bloqueando paixões - ainda que seja de uma dificuldade sem tamanho - e evitando amores, se deixa a diversão de lado com medo de se sujar, de se ralar, de se machucar.

Pensar. Para não cometer homicídios ou perder o emprego, para não gritar com ninguém numa rua que não se conhece ou ainda, para apertar o número do andar certo no elevador. Para que mais serve ser racional? Tomar as decisões na vida deve ser feito, sim, de forma racional...porém, é preciso um pouco de emoção, e para isso, leia o parágrafo anterior.

Entender. Agora sim, a mistura fica completa. Saber onde se está, e onde se quer chegar, pode ser fácil, sim! Preocupar-se demais com o que se quer ser, com quem quer estar, ou onde, para a vida inteira, é não usar a consciência de uma forma eficaz.

Se a vida é agora, queira agora! Onde estou, onde quero estar, com quem - mas hoje. Fica palpável, e passa a depender só de você. Você vai lá e faz acontecer, deita e rola sobre os incidentes, e já conseguiu. Para isso, é preciso ter certo discernimento, para não fazer besteira: se a hora é de esperar, e não de agir, então saiba esperar. E saber esperar pode ser melhor do que se imagina: somente esperar, sem botar tudo a perder, já é uma boa forma.

Agora, se você ler tudo isso e disser que "é fácil falar", então te digo: Fácil, mesmo, é fazer.

Mas tem que querer.

Querer muito.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

The Call



A madrugada passada
Passei olhando o passado
Recente passado, não ligo
Fui vendo com toda calma
Algumas situações.
Não consigo senti-las,
como sentia, há pouco
Não há mais memória do sentir.
Só que, se for pensar bem
Nem quero ela de volta
Porque hoje não faz sentido
Ter de novo tudo aquilo
Pelo que, tanto, sofri.
Quando penso em certas dores
E acho descenecessário
Tento entender, como pode?
Eu ver tudo dessa forma
Se, no dia, foi tão triste
Não lembro de eu ter superado
Mas hoje eu já sei que estou
Que estranho, por Deus, que estranho
Estar, assim, quase que ileso.
E é destas reflexões
que eu tanto precisava
que eu ainda preciso.
Preciso conversar
mas bem mais comigo mesmo
e bem mais comigo, mesmo.
Contigo posso também
Ainda que um tanto hostil
como sempre há de ser
Mas há cumplicidade
Fidelidade e força
Mais que argumentação
That's what I'm looking for
That's what I was searching for.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

No alto da montanha



Nunca foi fácil compartilhar com ninguém a existência da selva. Ninguém entenderia, antes eu pensava. Até refletir, e resolver: É hoje! Hoje eu vou falar com alguém, eu vou contar o que eu sou, eu vou falar da selva e se duvidar, até levo a pessoa lá comigo.
Ninguém entendeu.

Me senti aquele dançarino de sapateado...
...Teatro lotado, onde quase que não cabia a respiração de todos os que ali estavam. Palco pequeno, redondo, com holofotes amarelo-e-brancos ao centro, em foco.
Eis que ele chega: Moço magrinho das pernas finas e o tronco rigidamente ereto, calçando seus sapatos pretos impecáveis. E seu show começa: o artista sente a energia vindo de dentro pra fora, abre os olhos apenas por alguns segundos e fita cada um dos olhares que ali estão, sem tirar um, até que fecha os olhos e aquela energia toda cria um vínculo inquebrável entre a sola de seus pés e a palmilha de seus sapatos, permitindo-o dançar e criar mil frases, e gestos, fazendo seus sapatos pretos e brilhantes cantarem melodias e rítmicas doces e intensas.
Mas ninguém entende...

Tudo estava tranquilo na selva...por cima das árvores enormes e das folhas - das grandes e das pequenas - havia um céu azul lindíssimo.
Caminhando pelas trilhas, percebi que a calmaria não era aquela que precede a guerra, o transtorno. Era apenas um momento de paz, que tomou conta de cada poro de cada ser que ali vive, e trouxe um ambiente leve, com cheiro bom e com a brisa do jeitinho que deve ser.
Tive uma idéia!
Corri feito uma criança inocente e bobca - as da minha época, ressalto - que vai atrás de uma pipa, não importa onde. Segui pelas trilhas que conheço tão bem e cheguei onde mais queria: A montanha mestre.

A montanha mestre é um lugar onde eu posso ver tudo, tudo o que está ocorrendo na selva, em visão privilegiada: ela é alta e, sentado em seu topo, estou acima das nuvens. E quando nao há nuvens então, melhora, porque estou tão mais alto que posso ver cada folha que se move, e pra onde move.
Subir até o topo não é, lá, tarefa fácil. Certa vez tentei construir uma estrutura que me levasse facilmente até lá, mas veio uma tempestade e destruiu tudo. Ja entendi que não deve ser fácil assim chegar a um lugar de tanta paz.

E ali fiquei. Por horas. E aqui estou, olhando todo o meu ambiente, e lembrando de cada pequena história que passei aqui nesta selva: Lutas e batalhas, momentos de fuga e esconderijo, grandes guerras de destruir tudo que está em volta...e me sinto bem. Fui eu que construí e reconstruí tudo isso, do jeito que é hoje, com aquilo que recebi quando a selva nasceu.
Sempre foi assim, e sempre vai ser: só depende de mim.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

23° 32' 52" S 46° 38' 09" O



Me leva daqui, que hoje eu quero sair.
Hoje eu quero ver a rua
Quero ver a lua
Por detrás das nuvens
E arranha-céus

Prometo que não dou trabalho
Só quero mexer com as meninas
Paradas lá nas esquinas
Da nossa saudosa augusta
Da nossa consolação

Preciso respirar ar puro
Que me traz pigarra e tosse
Mas que, se acendo um cigarro
E abaixo o vidro do carro
Cai também o pudor

Me leva pra grande casa
Pra eu ver a namorada
Que diz que está com saudade
Ah, que amor mais louco
Juízo, eu pedia, eu lembro

Me tira aqui do buraco
Me tira da ponta do estado
Que eu quero estar la no meio
Quero ouvir música estranha
Quero tiros nos becos
Quero ganhar dinheiro
Quero gastar todo ele
Comprar tudo, a barganha
Quero correr perigo
Mas quero estar ali.

Só hoje.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Reminiscência

Por Ziraldo
Extraído do site: Releituras



Nasci numa pequena cidade de Minas. Até aí nada demais. Muita gente nasce em cidades pequenas, distantes e quietas. Seria feliz, de qualquer maneira, se quem lê neste instante pudesse saber a alegria que existe em se nascer num lugar assim, em que as ruas pequenas e estreitas, as altas palmeiras, a água macia da chuva que cai sempre, as muitas estrelas e a lua, as pedrinhas das calçadas, a meninada, a carteira da sala de aula, a mestra e mais uma quantidade destas lembranças simples sejam, mais tarde, influências reais na vida da gente. Na vida de quem, afinal, preferiu enfrentar a cidade grande: as águas desse mar, a luz dessas lâmpadas frias, a sala fechada, triste e sem perspectivas em que se ganha a vida, a cadeira quente e insegura das tardes de ir e vir — pura fadiga — das empresas, a luta, a dura luta de ser alguém, um peixe grande em mar estranhamente grande. A verdade é que, um dia, a pensar e refletir na grama macia da pracinha da matriz, a criança decidiu sair.

E a estrada se abriu a sua frente. Vir era uma idéia. Fixa. Caminhar era fácil.

A chegada: a rua imensa, as buzinas, as luzes, sinal verde, aquela cidade grande, grande ali, na sua frente. Cada face, cada ser que passava — pra lá e pra cá — inquietamente, tanta gente, suada, apressada, sem alegria, sem alma, a alma cerrada, enrustida, cada triste surpresa era a chegada.

Cheguei. Um táxi. A mala. As esquinas. Está bem, mas, que fazer? Sentei e pensei. Pela janela da casa alta vai a vida. Seria a vida? E disse a primeira frase na cidade grande, as primeiras palavras diante da grande luta e as palavras eram: Meu Deus, que saudade! E nem um dia me separava da pracinha da matriz. Cada dia que, a seguir, vi passar, esqueci.

Diante da máquina, neste instante, há uma distância imensa entre aquele dia na missa cantada na minha igrejinha e este dia em que, diante de mim, diante de minha mulher e da minha casa feita de cidade grande, minhas filhas brincam de ser gente grande.

E elas. Que vai ser delas? Sem palmeiras, sem um pai de ar grave; sem entender a chuva a cair em jardins humildes, nas margaridas branquinhas; sem entender de lua e de estrelas — que céu aqui, pra se ver nem se vê —, sem brincar na lama das ruas, a lama das chuvas, casca de palmeira, descer as barracas, nadar sem mamãe saber, nas águas escuras, fim de quintal, quintal, quintal? sem quintal? pedrinha de calçada, marcar a canivete sua inicial na carteira da sala. Ainda bem que nasceram meninas.

Já é diferente. Será que é? Sei lá. Entre a chegada e este instante, lembrança nenhuma. Sei que cheguei.

E sei mais: que esta página está é uma grande besteira, dura de cintura, sem graça, uma m... Já se vê que quem nasceu para caratinguense nunca chega a Rubem Braga. E também tem mais: Quem é capaz de escrever uma página literária decente — igual a essa (?) — sem usar uma vez sequer a letra O? Leiam mais uma vez. Atentamente. Se tiver um — além deste aí em cima — eu como!

--

Obs.: Obrigado, querido Velho!

domingo, 6 de fevereiro de 2011

"V"




"Voilà! À vista, um humilde veterano vaudevilliano, apresentado vicariamente como ambos vítima e vilão pelas vicissitudes do Destino. Esta visagem, não mero verniz da vaidade, é ela vestígio da vox populi, agora vacante, vanescida, enquanto a voz vital da verossimilhança agora venera aquilo que uma vez vilificaram. Entretanto, esta valorosa visitação de uma antiga vexação, permanece vivificada, e há votado por vaporizar estes venais e virulentos verminados vanguardeiros vícios e favorecer a violentamente viciosa e voraciosa violação da volição. O único veredito é a vingança, uma vendeta, mantida votiva,não em vão, pelo valor e veracidade dos quais um dia deverão vindicar os vigilantes e os virtuosos. Verdadeiramente, esta vichyssoise de verbosidade vira mais verbose vis-a-vis uma introdução, então é minha boa honra conhecê-la e você pode me chamar de V."

E a minha preferida:
"Por debaixo desta máscara não há só carne e osso, mas idéias. E idéias, são a prova de balas"

Bonus:

"My turn"


Ambas, do filme "V de Vingança".

*Me perdoem se não for o texto original, mas encontrei diferentes versões para ambas, e procurei postar as que considerei mais próximas do que lembro ter ouvido no filme.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Thy will be done



Tem gente que chega perto, até bem perto, vamos dizer. Mas, ainda sim, não entende.
Estou começando a acreditar que não encontrarei nunca alguém que me ouça tão bem, e que esteja fora do meu espelho.
Mas eu, ainda sim, insisto em tentar.

De repente todos os sonhos me convencem que ficarão onde devem estar. Me lembram o que é claro e evidente: ainda são. Sonhos.
Os objetivos que moviam com força corpo e alma, tornam-se não mais tangíveis. Exibem suas inúmeras formas e possibilidades agora num quadro no fim do corredor, que é longo. Longo mesmo.
A vontade e a ânsia de conquistar são bruscamente barradas por uma parede rija e imensa que aparece frente a meu peito, que se choca. Frente a meu rosto, que se fere. E meu coração, que recebe uma corda com nó duplo a apertar e repuxar de cada um dos lados, tornando-o arrítmico e pálido. Quase insustentável pelo sangue espesso que passa a correr, sem direção.

Sozinho, como se eu pudesse mesmo controlar alguma coisa, grito: " - Não me impeça!".
Tenho uma ambição em resolver, em fazer acontecer, em trazer para mim a responsabilidade. Desenvolvi esta forma de ser e de viver porque sei que assim não tenho impedimentos: é meu, e eu vou fazer.
Certa vez uma amiga me disse: " - Hei, vá com calma, você não precisa resolver tudo!".
Não entendi e até reprovei. Como ousa?
Mas no fundo, ela quase que tem razão. Ou tem, e eu não explorei direito. A verdade é que eu não consigo resolver tudo.

Tentei, em um momento de pânico, encontrar uma desculpa. Eu preciso de um motivo, uma obrigação, um impacto. Algo que me faça mudar todo o curso, sair do rumo dos planos, e desta forma moldar tudo direitinho do jeito que eu quiser e assim chegar lá. Lá onde? Lá, onde eu quiser.
Mas a verdade me veio à tona a me alertar o quanto serei fraco e mesquinho ao me enganar desta maneira. O quanto vou mascarar uma realidade e tirar meus pés no chão. Que vá pro lixo a roupa que coloquei na felicidade.

Eis que abri a Bíblia em uma página aleatória, como costumo fazer. Em um momento de desespero após uma noite de pesadelos e com a carga da realidade sobre os ombros, eu sabia que precisaria.
Após o sinal da cruz, recebi a mensagem com calma: "Seja feita a vontade do Senhor".