quarta-feira, 2 de março de 2011

Por um fio



O veneno da cobra é o que produz a cura.
Meu problema está com as pessoas. Minha solução, ali também se encontra.
Os exercícios são simples. Não dá trabalho algum sentar em algum bar, com um alguém (ou vários deles), e observar, e ouvir, e pagar chopp e deixar falar. Também não me é incômodo olhar para os olhos, contar os desvios de olhar durante as mentiras, observar a respiração ofegante em um blefe ou mesmo sentir o tremor da mesa junto às pernas inquietas e, com mais um ou dois erros de português, entender quem é quem neste lugar.
Ouso dizer que não vejo impedimento em ver o que acontece na mesa ao lado (ou em várias delas, por que não?). São coquetéis de comportamentos, falas, gestos e paqueras e besteiras e verdades, e grandes paixões tão pouco levadas a sério. Todo aquele jogo que qualquer tolo me diz que conhece.
Não conhece.
Fora isso, tenho tais outros recursos, que me dão, sim, certo medo. Mas não ligo, reinvento, e lá estou.

A parte que me suja a vida é o resultado de tudo.
O nojo que vem, tão natural, sem eu mover o menor moinho. Aquela repugnância e vontade até de chorar, que disfarço entre um ou outro truque, me domina e vem corroendo, destrói este homem por dentro, dilacera qualquer vontade de ficar.
Isso sem contar que sou dotado de uma tal paciência que nem sei medir com régua: muitas voltas no planeta. Mas enquanto a enganação vence a admiração a qualquer caráter, aquele habilidade de confiar que já não existe, insiste em ter saldo negativo.

Amo trabalhar com pessoas. Mas nunca tive tanta vontade de não estar perto de ninguém.

...

O quê? Ajuda?

Não. Obrigado.

5 comentários:

José Sousa disse...

Muito bem, o que li por aqui, como sempre, gostei! A nossa mente sempre é fértil em imaginar a forma como descrever as nossas coisas para que os outro possam, assim, lerem.

http://www.congulolundo.blogspot.com/
http://www.minhalmaempoemas.blogspot.com/
http://www.queriaserselvagem.blogspot.com/

Um abração e bom carnaval.

Pipa. Agora eu era o herói. disse...

Eu poderia perguntar que saída foi essa. Mas que diferença faz se não vamos a lugar algum, não é mesmo? Você sempre afasta as pessoas com a mão. Presumo que o ouro deva ser pouco para dividir com tanta gente. Toda vez que bate essa porta, posso ouvir o eco profundo de sua respiração. Minto. Da sua inspiração.

mari. disse...

Às vezes o melhor é curar-se com o espelho. Também é um alguém, também é um veneno.

Renato Menezes disse...

Eu queria dizer algo que fizesse sentido. Mas, as pessoas, na maioria das vezes, não fazem sentido algum na nossa percepção. Nós não estamos perto de ninguém. Mas só damos conta quando olhamos ao lado. Sobram as almas como a sua e a minha. Juntas.

Anônimo disse...

Terapia faz bem.As vezes o outro é o espelho e assim enxergamos neles os nossos defeitos.