sábado, 9 de abril de 2011

Encontrar?

Os fatos não me deixam pensar em outra coisa que não a lei da vida. A ordem natural das coisas, o sentido, o propósito. Longa jornada, composta de inúmeros e sucessivos fracassos, decepções, e pequenos sucessos nos intervalos pra dar um certo tempero.
Claro que ninguém me disse que seria fácil, e nem mesmo eu tinha qualquer crendice deste teor. Mas a dor consome e petrifica certos sentimentos, congela emoções, e mais, as transforma. Nem preciso dizer que a mutação pende para a crueldade, para a ira e a desilusão.
Nisso, chega o medo e uma velha habilidade de se envenenar. Até então, não muito utilizada há tempos. É nesta hora que descobrimos quando determinadas coisas são, efetivamente, da nossa própria natureza.
Cuido de mim, mas não tanto. Estar sozinho parece bom, mas não tanto. Reflexões que eram tão potentes e confortantes, agora apenas trazem confusão. E eu sei que preciso de um mecanismo melhor, ou vou enlouquecer (em essência).
Encontrar alguém a quem se possa acreditar era a missão mais difícil que eu pensei que pudesse existir. Agora estou pensando, qual é a parte que realmente beira o impossível nesta tarefa.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Billie Jean


A troca de pele exige que determinadas coisas sejam mesmo desvinculadas, soltas, para apodrecerem, se degradarem. Com esta casca que é deixada para trás, tudo aquilo que - desde a última transformação - veio grudando, penetrando, se fundindo e que, por fim, criou toda essa estrutura, vai embora. Vai embora e dá espaço a esta nova pele, lisa e intacta, pronta para que novas pessoas, coisas, espíritos, músicas, filmes, anjos, demonios, golpes e carinhos, dentre tantas outras, possam se alojar, tornar-se parte do todo.
Amigos que não estão mais aqui. Não por não serem mais amigos, mas porque não estão mais aqui, simples assim. Inimigos que também estão lá, praticando suas maldades em outros lugares. Amores passados que estão mesmo passados demais para passarem por aqui, além de tapas e abraços que ficaram ali no chão, para sempre.
E esta, é uma das etapas mais difíceis da travessia toda: a da limpeza.
Preciso me livrar de tudo aquilo que é sujo. E ah, como dói, só Deus sabe. Ele é quem manda essa dor, eu bem sei, esse castigo. Não por estar me limpando, não, mas por um dia ter passado por isso e mergulhado nesse prazer ímpio. É hora de pagar.
Aos poucos, nesta renovação de conceitos e idealizações do que é, de verdade, viver, inúmeras tentações chegam em suas diferentes formas. As que caí  em épocas de carne, serão perdoadas agora, pois o punhal do arrependimento rasgando meu ser inteiro, dilascerando cada rastro íntegro que ainda está aqui, me garante. Mas as tentações de agora não, estas não serão perdoadas, nem por Deus, nem por mim. Apenas me conduzirão ao abismo.
Pensamentos de traição, de ira, de descontrole, também aparecem bem agora. É claro que não são bem vindos, porém insistem em me fazer crer que eu ainda sou aquele de antes. Por que? O que há para resgatar de todo aquele lado mais fraco, que só me transformou em um monstro? O que eu ainda tenho que levar para mim, de verdade?
Manipulação, jogos de poder e de valor, jogos de luxúria onde cada aposta valia a própria vida. Foram jornadas inimagináveis misturando prazer e medo, o corpo elevado ao seu máximo até se tornar minimamente importante, impotente, inútil. A mim e a todas elas.
Estratégias perfeitas e com organização, precisão, disciplina. Atuação onde o palco era o próprio cotidiano, misturando os blefes mais discretamente escondidos do pôquer com as jogadas melhor elaboradas do xadrez, onde as peças eram todos os coadjuvantes. 
Por fim, completando o repugnante ser, o estímulo de sentimentos como o desejo de vingança, a perda do medo da morte e consequentemente, a tranquilidade para matar. Não que tenha precisado, mas aquele sentimento de poder ao pensar que se o fosse necessário, as técnicas teriam-no tornado pronto.
Acabou. 
De verdade, acabou, e mais do que nunca é necessário entender e compreender que o tempo é outro. É hora de tirar o sobretudo cheio de facas afiadas e pistolas rápidas e jogar no chão. Despir-se dos coletes a prova de tantos tipos de balas, abandonar aquela caixa de máscaras e caracterizações. Os livros e artigos também deverão ser queimados, tudo o que está ali escrito, e que for bom, já está aqui dentro. É hora de deixar de ser o que eu sou (ou era), e começar a ser aquilo que eu posso ser.
Está doendo muito, e essa dor é minha, não de mais ninguém. O tempo de começar a usar tudo que eu sei apenas para o bem, chegou, pra valer. Pode ser que fiquem as cicatrizes, que peço a Deus com todas as minhas forças para que estas não sejam compartilhadas com mais ninguém. Eu aguento, o que for. 
Vai valer a pena.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Fragmento



No caminho de casa, um boteco.
Boteco mesmo, daqueles com o "bêbado da casa" e o chão de cera vermelho, todo mundo sabe como é.
Nas mesinhas - de boteco - vários senhores, o mais novo ja devia ter enterrado a mãe sem dúvida.
Então, durante a caminhada, ouço um dizer pro outro:
 - Aí, João! Que cê tá me olhando? Virou alfaiate agora pra ficar tirando "minhas medida" assim, de longe?
 - Não, to olhando essa napa sua, ói que tamanho de narigão...
 - Ah bom, então ta bom!


Optar por morar no interior tem lá suas vantagens...

segunda-feira, 4 de abril de 2011

It works!

Aquela interrupção ainda continua. Constatei recentemente que o caso é pior do que eu pensava: não é só a habilidade de encaixar ali as palavras no papel, não é só a ponta do lápis que está entupida. O buraco é mais embaixo (ou mais em cima?): é a cabeça que não está conseguindo. Também. 
Mas o ponto é que mesmo com essa limitação, eu ainda tenho algo a dizer. E aí vai, do jeito que sair...

A vida é engraçada.
A vida é cheia dessas coisas de surpreender a gente.
Aquela história do cavalo da oportunidade que só passa uma vez é verdade.
E a lei da atração também funciona. 
A fé existe. E é poderosíssima quando bem utilizada.
E a lei da atração acho que precisa ter fé junto, senão não vai bem. (Quer dizer, não sei como é separar as duas, alguém sabe?)
Eu sei sobre o sensacionalismo do segredo. Mas ainda sim tem lá seu pedaço de verdade.
Deus também existe, quando a fé existe.
Funciona!
Tem que querer muito. 
Muito é bem mais do que se pode imaginar.
O bem vence.
O bem sempre vence.
A medicina é uma farsa. Mas os resultados bem sucedidos baseados no que já se pode administrar, se juntam com a fé.
A fé existe.
E funciona!
As pessoas continuam sendo bem nojentas.
As pessoas continuam fazendo maldade. Ou "des".
E a gente continua ficando mal com isso, além de sofrer com essa maldade toda. (A gente que acha que é do bem)
Se você sabe com todas as suas forças que é do bem, você ja é.
É bom ser do bem.
Continuo rezando.