segunda-feira, 6 de junho de 2011

Agora sim.

Eu me lembro, gostava da mais bonita. 

É, tinha que ser ela, e não há outra explicação mais clara. Até me divertia com uma aqui, ou outra ali – dentro da condição que estava divertindo alguém, concordo – mas tinha que ser ela. A mais bonita.

E não é que deu certo? Na época, nos tornamos namorados, namoradinhos, casalzinho, como queira. 

E foi com a primeira namorada, com a mais bonita, que eu percebi que não queria a mais bonita. Eu queria todas! Por mais impuro que pareça, querer todas não era a pior parte, mas sim, saber que podia tê-las. E tinha. 

Algumas bonitas, outras não tão bonitas...é, bem menos bonitas. Mas tinha, e aquilo me satisfazia de uma forma estranhamente masculina. E bem infantil, digamos.

Depois de um certo tempo com todas, percebi que o que eu queria mesmo, era as mais velhas. Ah, as mais velhas, cinco, dez, doze, quinze anos mais velhas do que eu! Uau, agora sim, estava bem. Porque além de ter todas – e até começou a me cansar, essa parte – eu tinha outra faixa. 

Ainda nessa, comecei a praticar. Casadas, mães, bissexuais, carentes, aventureiras, e as etecéteras. Achei que não ia ter fim.

Mas passou. Sem querer, passou. E foi desse jeito, mesmo, degrau por degrau, até chegar ao descanso da escada. E o tal descanso me trouxe algo muito, muito melhor: Ela.
 
Ela apareceu e foi diferente – por menos convincente que isso pareça – e foi bonito, e puro, e maravilhoso. Tanta coisa. 

E a cereja do bolo: ela é a mais bonita. Mais que a primeira, mas que aquelas menos, mais. E essa beleza diferente, esse aspecto todo dela, se junta com essa minha vontade de fazê-la a mulher mais feliz do mundo, trazendo assim, algo mais: essa nossa habilidade de conseguir.

Tudo foi necessário, sim, para que eu percebesse – agora, então – que eu quero mesmo é ela. E se eu pudesse voltar atrás, e fazer tudo diferente, não sei, talvez eu faria. Arriscaria meu pescoço, caso algo me desse garantia que a teria no final.

O final é agora. O final é o começo.