quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Só eu.

Talvez o cantor dessa música do rádio nem tenha idéia do que está dizendo, e francamente, é possível se garantir até certeza.
O beijo doce tem mesmo gosto doce. E o suspirar de prazer é algo assim, que para muitos, segue inimaginável. É o que ele diz, mas...

Ela apareceu e desta vez foi em sonho. Quando a vi, quase nem soube o que pensar. Ao se aproximar, então, ensaiei comigo mesmo, talvez quinze ou vinte vezes, aquilo o que falar. Mas não deu.
Qualquer elogio é muito pouco perto da beleza e do encanto que aquela combinação sorriso-e-olhos tem. Qualquer flerte se desarma por si só quando a vítima é a dona de tal promessa de um momento perfeito. Não há o que fazer, se não, respirar fundo, sorrir de volta, abraçar forte e deixar de fora qualquer sentimento ruim. Ela é mesmo intensamente irresistível.
O mais curioso é a habilidade que a moça-mulher tem de estar ao alcance. É aquela sensação de que todos os olhares famintos a procuram, desejam, cobiçam, mas o alcance está aqui, comigo.

Se ela sabe de tudo isso? Não sei.

Eu sei.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Vem você em mim.

Você me destrói.

Não sei mais o que faço, não sei onde não te encontro, onde não penso em tudo isso, onde posso me esconder. Não sei e não quero saber, porque não é para lá que eu quero ir.

Queria poder lembrar do momento em que alguém conseguiu assim, desse jeitinho que você consegue sem mover uma palha, destilar meu forte veneno usando um sorriso, um pouco de um sedutor perfume, e muito perigo. Queria poder dizer que sei bem como lidar com isso, que sou da velha guarda.

Indiferente é o universo quando se aproximas de mim com esse teu jeito todo seu. Áureas e constelações estão lá a conspirar para que meu olhar cruze com o teu, e tudo se acabe, por fim, em uma disritmia incontrolável.

E se eu te encontro assim, no meio do dia, com um belo casaco, me vem uma mistura doida: o desejo louco de rasgar sua roupa e te levar pra um lugar onde você jamais foi (...jamais deste jeito), e o medo poderoso de você ir embora mais uma vez deixando a mim apenas o toque das tuas mãos em minha nuca, como um abraço dos mais ingênuos, ou uma louca provocação.

Você me destrói, mas nem sabe. E eu estou tentando mesmo é descobrir se isso é bom ou ruim.

sábado, 13 de agosto de 2011

Sem cerimônia.

Naquelas semanas, minhas últimas semanas, algo estranho aconteceu.

Viver sem rédeas tem dessas coisas. Não ter horário, nem tempo, nem crise...e ao mesmo tempo, ter toda a culpa do mundo. Não saberia como fazer de outra maneira.

O que sei é que, até com um certo desespero, percebemos que não tinhamos feito metade das coisas que deveríamos. Não tínhamos cumprido todo o protocolo, mas ao contrário, tínhamos arrebentado. Essa é a palavra: Arrebentar.

Então começou a via sacra: aquele restaurante da mídia corporativista burguesa social, aquele beirute, coca-cola de vidro em todos os lugares possíveis, aquele bordel. Tudo ao mesmo tempo.

E quando as opções pareciam estar chegando, enfim, ao seu término, é que surgiram os filmes. Uma lista não muito longa, mas significativa, afinal: "como você vai embora sem ver esse?".

Madrugadas a fio, um atrás do outro, e o sono. Acordar, ir, trabalhar, voltar, bater o cartão, ligar, ir, ir, ir. E mais dois ou três clássicos, um atrás do outro.

Ufa!

De repente, sem nem perceber, era o último dia. E o mais estranho de todos os acontecimentos foi a cena da despedida: como se eu ainda fosse voltar na próxima semana. Não?

A rodoviária continuava ali do mesmo jeitinho, com os mesmo atendentes estúpidos e aquele monza hatch branco que não saía de lá, mesmo.

E nós ali, naquele abraço de toda semana, sem fazer cerimônia de partida, de "adeus".

Por vezes, antes deste dia, imaginei como seria me despedir para sempre. Antes de abraçar, viria cada cena na minha cabeça...o fondue, o trem no caminho pra fazendinha, a estrada e o fagner, o dedinho e o 16, as fotos com o simpa, e a pouca estada como frentistas do drive thru. O Molho de alho pelo telefone, o videokê, na mesa amarela as TVs assíncronas e o medo de encontrar aquele cara chato pra cacete, e as inúmeras vezes em que nos olhamos e a clássica pergunta surgiu: "O que é que eu estou fazendo aqui?". Por fim, como não poderia faltar: "qualquer hora você vai fazer esse retorno e bater no meio do poste".

Sim, isso é uma homenagem discarada. Porque você faz falta pra caralho demasiadamente.