sábado, 13 de agosto de 2011

Sem cerimônia.

Naquelas semanas, minhas últimas semanas, algo estranho aconteceu.

Viver sem rédeas tem dessas coisas. Não ter horário, nem tempo, nem crise...e ao mesmo tempo, ter toda a culpa do mundo. Não saberia como fazer de outra maneira.

O que sei é que, até com um certo desespero, percebemos que não tinhamos feito metade das coisas que deveríamos. Não tínhamos cumprido todo o protocolo, mas ao contrário, tínhamos arrebentado. Essa é a palavra: Arrebentar.

Então começou a via sacra: aquele restaurante da mídia corporativista burguesa social, aquele beirute, coca-cola de vidro em todos os lugares possíveis, aquele bordel. Tudo ao mesmo tempo.

E quando as opções pareciam estar chegando, enfim, ao seu término, é que surgiram os filmes. Uma lista não muito longa, mas significativa, afinal: "como você vai embora sem ver esse?".

Madrugadas a fio, um atrás do outro, e o sono. Acordar, ir, trabalhar, voltar, bater o cartão, ligar, ir, ir, ir. E mais dois ou três clássicos, um atrás do outro.

Ufa!

De repente, sem nem perceber, era o último dia. E o mais estranho de todos os acontecimentos foi a cena da despedida: como se eu ainda fosse voltar na próxima semana. Não?

A rodoviária continuava ali do mesmo jeitinho, com os mesmo atendentes estúpidos e aquele monza hatch branco que não saía de lá, mesmo.

E nós ali, naquele abraço de toda semana, sem fazer cerimônia de partida, de "adeus".

Por vezes, antes deste dia, imaginei como seria me despedir para sempre. Antes de abraçar, viria cada cena na minha cabeça...o fondue, o trem no caminho pra fazendinha, a estrada e o fagner, o dedinho e o 16, as fotos com o simpa, e a pouca estada como frentistas do drive thru. O Molho de alho pelo telefone, o videokê, na mesa amarela as TVs assíncronas e o medo de encontrar aquele cara chato pra cacete, e as inúmeras vezes em que nos olhamos e a clássica pergunta surgiu: "O que é que eu estou fazendo aqui?". Por fim, como não poderia faltar: "qualquer hora você vai fazer esse retorno e bater no meio do poste".

Sim, isso é uma homenagem discarada. Porque você faz falta pra caralho demasiadamente.

2 comentários:

Renato Menezes disse...

É sincero, é verdadeiro. É real. É tudo aquilo que vivemos e que ainda vamos ver. É perfeito.

Velho Santiago disse...

Caro L.M. Leva a fundo o viver como se fosse o último dia, ou último dia realmente chegou? Se sim - e imaginando que tenha conhecido o que é um último dia - ensina o Velho a saber reconhecer um assim? Se me fizer aprender bem, prometo que ao menor sinal de um desses eu fecharei os olhos e voltarei e volto a dormir.