segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Slave



Nada se perdeu.

Os olhos, o jeito de enviar um olhar, e de saber quando se recebe. O saber escolher as palavras e mais, o volume e o tom da voz, o momento certo a dizer e talvez, principalmente, a qual distância dizê-las.

Aquele jeito de segurar o copo de uísque, de se vestir, e de assim ganhar o mundo.

A conectividade, o tal magnetismo, e a velha segurança de abordar - com tranquilidade e a dose certa de ousadia - não se esvaecem assim, em um piscar de olhos. Os olhos não piscam.

O arrepiar ainda insiste em construir todos os momentos. Os sentidos, mais que os sentimentos, são os donos de todas as verdades e mentiras, a priorizar a que couber melhor ali, naquele minuto. Se o ponteiro passar, já era, pode dizer a verdade para não ter que sair da mesa.

Paixão. Hora de lembrar que a passionalidade faz com que grandes paixões se iniciem e nunca, nunca mais terminem. E que ao longo de todo o tempo têm-se a possibilidade de sustentá-las, talvez até revigorá-las - se assim o quiser - com ou sem uma promessa de futuro, entretanto, ainda no firmamento de um passado puro e lindo, apesar de.

Tudo continua aqui. Inclusive aquela loucura de ouvir Bryan Ferry e, só então, saber que a vida pode continuar assim.

To love.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Tambor



De repente, já é tarde, e você acorda. Acorda e o gosto amargo na boca é inevitável, a sensação do que era impossível ter se tornado apenas muito difícil, e a mistura do possível e não-realizado com a vontade de dizer algumas palavras ensaiadas [e talvez colocar tudo a perder]. 

É uma roleta russa.

No fundo mesmo, aquela transformação que permanece sendo escondida diariamente pelos disfarces da rotina, gosta é de diminuir as chances, de arriscar, apostar tudo de uma vez. Vale mais a pena sentir que a possibilidade é bem pequena, e que cada um daqueles segundos antes de acontecer, são mesmo vidas inteiras.
E quando se coloca todas as fichas em jogo e surge a derrota inevitável, deve-se saboreá-la de maneira surreal, ímpar. 

O que é justo, é justo: perder e ganhar têm o mesmo valor.

Por esta razão, jogo estrategicamente. Penso, penso, penso, e cada jogada vale o jogo inteiro. Porém, durante a ação, nem sempre se consegue conter a emoção e o forte desejo de fazer uma besteira. Calma.

E por fim se estou assim, aflito a esperar pelo próximo episódio, é porque significa muito. E mesmo já tendo assistido ao gran finale deste show magnífico, gosto deste querer que não sabe bem se tudo pode mudar. Gosto de imaginar se tudo podia mesmo ser diferente daquilo que já sei o quê.

Cinco balas e uma chance. Vale tudo.