segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Slave



Nada se perdeu.

Os olhos, o jeito de enviar um olhar, e de saber quando se recebe. O saber escolher as palavras e mais, o volume e o tom da voz, o momento certo a dizer e talvez, principalmente, a qual distância dizê-las.

Aquele jeito de segurar o copo de uísque, de se vestir, e de assim ganhar o mundo.

A conectividade, o tal magnetismo, e a velha segurança de abordar - com tranquilidade e a dose certa de ousadia - não se esvaecem assim, em um piscar de olhos. Os olhos não piscam.

O arrepiar ainda insiste em construir todos os momentos. Os sentidos, mais que os sentimentos, são os donos de todas as verdades e mentiras, a priorizar a que couber melhor ali, naquele minuto. Se o ponteiro passar, já era, pode dizer a verdade para não ter que sair da mesa.

Paixão. Hora de lembrar que a passionalidade faz com que grandes paixões se iniciem e nunca, nunca mais terminem. E que ao longo de todo o tempo têm-se a possibilidade de sustentá-las, talvez até revigorá-las - se assim o quiser - com ou sem uma promessa de futuro, entretanto, ainda no firmamento de um passado puro e lindo, apesar de.

Tudo continua aqui. Inclusive aquela loucura de ouvir Bryan Ferry e, só então, saber que a vida pode continuar assim.

To love.

Um comentário:

Raiana Reis disse...

Certas coisas nunca se perdem, ainda que figurem apenas como fotografia sem porta-retratos.

Adorei este, lenhador. ;)