domingo, 4 de dezembro de 2011

Tambor



De repente, já é tarde, e você acorda. Acorda e o gosto amargo na boca é inevitável, a sensação do que era impossível ter se tornado apenas muito difícil, e a mistura do possível e não-realizado com a vontade de dizer algumas palavras ensaiadas [e talvez colocar tudo a perder]. 

É uma roleta russa.

No fundo mesmo, aquela transformação que permanece sendo escondida diariamente pelos disfarces da rotina, gosta é de diminuir as chances, de arriscar, apostar tudo de uma vez. Vale mais a pena sentir que a possibilidade é bem pequena, e que cada um daqueles segundos antes de acontecer, são mesmo vidas inteiras.
E quando se coloca todas as fichas em jogo e surge a derrota inevitável, deve-se saboreá-la de maneira surreal, ímpar. 

O que é justo, é justo: perder e ganhar têm o mesmo valor.

Por esta razão, jogo estrategicamente. Penso, penso, penso, e cada jogada vale o jogo inteiro. Porém, durante a ação, nem sempre se consegue conter a emoção e o forte desejo de fazer uma besteira. Calma.

E por fim se estou assim, aflito a esperar pelo próximo episódio, é porque significa muito. E mesmo já tendo assistido ao gran finale deste show magnífico, gosto deste querer que não sabe bem se tudo pode mudar. Gosto de imaginar se tudo podia mesmo ser diferente daquilo que já sei o quê.

Cinco balas e uma chance. Vale tudo.

2 comentários:

Li disse...

O fato é que as possibilidades existem,e tudo pode ser pássivel de realização,por mais improvável que seja.Sei que brota a angustia do desejo contido e a vontade de apostar todas as fichas é bastante sedutora.Enquanto vc meu caro amigo estrategista pensa,vejo amontuar-se inúmeras garrafas sobre a mesa.Será que o valor está em perder ou ganhar mesmo??
Ou simplesmente seria o próprio jogo?
Guarde suas balas para o tiro certo.

Renato Menezes disse...

E o que eu sinto é sempre o mesmo: a dúvida da possibilidade. Aquela nunca esclarecida. Não importa para onde eu vá. Uma certeza imaginária.