segunda-feira, 5 de março de 2012

Como é que eu vivo sem?

E quando me perguntaram o que foi tudo aquilo em cima do palco, não teve como não responder:

" - Aquilo sou eu. Eu frente a elas, as músicas, onde cada uma do repertório - para mim - é uma mulher lindíssima, uma mais bela que a outra. Quando me vejo junto a elas, cada nota tocada é um movimento, natural e sentido, com todo o tesão daquele encontro. Eu transo com cada música.
Tem aquela que se deve tocar de leve, aquela que eu preciso de uma pegada intensa - e claro, uso - ou aquela que o ritmo vai sozinho, é só sentir e deixar levar.
O uísque? Ah, é um afrodisíaco, você sabe como é: a gente não precisa, mas quando usa, é bom demais!
E o meu instrumento, por fim, com a grossura do seu som e o tamanho do braço, é o que preciso para satisfazê-las. 
Fazer um show assim é uma noite de orgasmos múltiplos."

sábado, 3 de março de 2012

Visita


Te imagino minha quando chego em teu portão. Inevitável, e nem desejo, esconder o anseio de entregar meus olhos aos seus durante qualquer fração de segundo.

Tua essência, por si só, me confunde os sentidos e é nesta hora que se entorpecer se torna a inconsciência pura, a loucura em seu melhor papel: amor à segunda vista.

Permito-me tocar seus cabelos e viajar para onde quiser. Te levo comigo, no abraço forte e seguro, lembrando a teu corpo que ainda é possível se arrepiar e estar segura em meu peito. Laços assim, não se desfazem assim.

Não tem outro jeito se não trocar olhares e palavras a centímetros de distância. Não posso fazer diferente, resistir não faz parte do vocabulário. Emoção, sim. E na entrega toda, faço perguntas aleatórias pra poder analisar o conjunto lábios, olhos, sorriso. Qualquer palavra ali é a parte menos, menos importante.

E quando o assunto tem que continuar, você já entendeu, e é preciso mesmo o silêncio nada embaraçoso para que possamos voltar alguns anos e alternar entre o suave toque, os delicados beijos, e a paixão avassaladora do fazer amor com toda intensidade...

Choque. Ainda estamos aqui.

Se te conheço bem, não posso ultrapassar a linha limite. Tanto quanto me conheces, provocas quanto quiseres pois sabes que sei esperar. Intimidade.

Despeçamo-nos, então, com outra pitada interminável de desejo e amor aqui guardados [talvez] para sempre. Não me faça pisar no acelerador sem levar teu cheiro comigo.

Ainda estamos aqui.