segunda-feira, 21 de maio de 2012

E doze.


No meio da multidão, chego sozinho. Compro uma cerveja, ainda que o tempo esteja bem frio, e purifico minha alma no primeiro gole, que dura mais que o convencional. E quando termino a respiração do fim da bênção, minha segunda consciência me traz "Sinal fechado", à tal força psíquica incontrolável. 

Não somente olho. Tenho azar: vejo, capto, sinto tudo. Tenho noção: não falo, nada.

Sei que não devia, e cumpro, não me surpreendo com as pessoas. Os universos continuam a se cruzar em uma velocidade incrível, fazendo surgir sorrisos, demonstrações de um afeto planejado, discussões inúteis e tantos outros comportamentos lastimáveis. 

Como se eu tivesse parado de fazer este exercício propositalmente, continuo a analisar as respirações e a prever os resultados, preciso me lembrar no que eu ainda sou bom. Mais uma cerveja.

Agora aparecem os palhaços [Chamam de intervenção circense]. Em dias normais poderia rir e entrar na brincadeira, mas claro, não é o caso. Fico longe a observar a habilidade que o teatro adquiriu de ser uma bosta. O suco da bosta, diria um velho amigo. 

Pacientemente aguardo o momento em que explodirá uma bomba de dentro pra fora da roda e eliminará todo aquele conjunto de diferentes obrigações montadas em cada ser ali parado, ou ali "atuando". Não acontece [será que falhou? ainda há esperança].

Por fim, a cerveja do vendedor esquentou. Escolho o outro, que é um troglodita. Ainda pacientemente, dou $50 e espero $45. Vem $75, eu olho para aquela cara primata dizendo (internamente): "Você tem certeza?". Ele vira e se vai, e eu sei que o mundo está mesmo seguindo rumo ao fim. 

É por isso que eu como carne. Porque uns vegetarianos vieram me dizer que, por comerem só verde, vão viver mais que eu. 

Não vai dar mesmo pra ficar no meio dessa esquisitisse por muito tempo.

Sempre há tempo.


No frio que Maio trouxe à tona, nove da noite no sábado já era tarde. 
" - Já vou indo deitar."
Por cinquenta e três maios foi assim. Sempre ele primeiro, sempre ela depois, quase que como um ritual, um acordo fechado, apostado. Ou, simplesmente: assim.
Ao ir para o quarto, era de praxe arrumar a cama. Cobertores individuais na cama de casal, decisão mais inteligente em uma relação, não há. Arrumar o dele, e o dela, e os travesseiros também em seus certos lugares. Prontos, aos dois.
Deitar e fixar um ponto fixo no teto. Para Ele, rezar, e dormir. Por vezes, dormir rezando. Por outras, rezar dormindo.

...

Naquela noite de sábado ela chegou no quarto e se deparou com ele ali, deitado na cama, com seus cobertores e seu travesseiro do lado esquerdo da cama. Porém, desta vez, não havia cobertor para que ela pudesse se esquentar. Nem mesmo o velho travesseiro ali estava.
" - Nossa, véio - costumava chamá-lo com carinho - nem colocou coberta pra mim hoje, foi?"




Jamais haverá certeza se ele rezou ou não, antes de dormir. Se Ele ouviu, talvez? Não sei.

O que sei é que a morte costumava ser mais simples pra mim, até ouvir essa história, que é real. Só pude pensar em uma coisa: "Fique tranquilo. Não o conheci, mas se não deu tempo de rezar, já o fiz por aqui."

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Boom.

 - E essa inspiração, de onde vem?

 - Simples responder, difícil mesmo é querer trocar. Vem da dor, minha jovem. E é da dor que nascem todas as coisas bonitas: as grandes paixões, os amores intermináveis, as viagens inesquecíveis, as guerras pelas razões mais óbvias...

 - Peraí, as guerras? O que elas tem de beleza?

 - Qualquer guerra, por menor que possa ser ao lado de fora, tem sempre o dom de parecer eterna enquanto dura para quem está dentro. Tem dois lados (ou as vezes, até mais), disputando por um sentimento, um ideal, uma linha de pensamento, pelo poder...tantas coisas.

É onde o ser pode dar o máximo de si, pois sabe que suas chances alternam rapidamente entre vencer e morrer. Morrer significa abdicar-se de tudo, e pode ler pra entender, que nenhuma guerra até hoje terminou porque alguém desistiu no finalzinho.

Agora veja: uma grande guerra não é a cara de um grande amor?

 - Preciso de mais café, você bagunçou minha cabeça.

 - Ah, e claro, como pude me esquecer? Agora sim, posso dizer: a inspiração é um coquetel, uma bomba atômica.

Feita de dor, e de café.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Amanhã tem


No meio do meu sonho, surge o Queen
"Don't stop me now..."
Para isso logo, acorda
Levanta, olha pra cama
[quem é essa?]
Chuta a doida
"Acorda, bora!"
Pega a calça, e a camisa
Bate a porta
Desce a escada, abotoando
(que quebrou o elevador)
Nem bom dia, nem licença
Corre que ja tá atrasado
No caminho um Starbucks
Corre, olha lá, quanta gente
Não deu nesse, pega o outro
Metrô nesse horário é soda
Sobe o prédio
Agora sim: "dias, bom dias"
Senta, vai!

(tum tum, tum tum, tum tum...)

Feliz [sic] dia do trabalho!