quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Como nunca


Quando perguntei a ela, deveria saber que sua sabedoria ultrapassa qualquer racionalidade, pois vem de uma iluminação estranha, que eu ainda não sei - e nem sequer sei, se um dia, saberei - de onde vem...

 - Será que continuo indo de paletó e gravata?
 - Hum...como os outros estão?
 - De calça jeans e camiseta.
 - Então vá de calça jeans e camiseta.

Imediatamente me lembrei de velhas sensações, como a de chegar em cada pequena cidade de paletó, sem gravata, e óculos escuros, logo na primeira reunião. Os suspiros que eu podia ouvir à distância, os olhares impressionados e os rostos em forma de interrogação pelos corredores, até o olhar surpreso e o sorriso de canto de cada um na mesa da última sala; Tudo isso me fez chegar a lugares que nem eu mesmo sabia que existiam.

Ou então, nas grandes cidades onde o traje é quase que banal, chegar com o melhor. As sensações, neste caso, eram todas ocultas. Disfarçadas na feição, mas assinadas e publicadas no outdoor da retina de cada coração ríspido. Inevitavelmente bom.

Os resultados e desfrutes de toda esta atuação vieram muito rapidamente, e em tom de grande orgulho por não ter sido necessário pisar em cima de nenhuma cabeça. Juro, nenhuma.

Todavia, se há certo tempo eu intimidei, se hoje eu quase que intimidei, no dia seguinte eu não quero mais. Não posso, não é justo, nem comigo e nem com todos os outros ali. Amanhã, não vai poder ser assim: eu não estou por cima, e não vou parecer estar. Não vou enganar ninguém.

Aquilo que consegui fazendo caras e bocas, não foi - todo - gasto em diversão, prazeres, loucuras. O investimento maior foi naquilo que me tornei agora. E se eu lutei, cresci, atingi, para me tornar alguém inferior ao que eu era - ou melhor, ao que eu pensava que era - foi porque eu quis, porque eu deixei, porque as coisas deveriam ter acontecido assim e este é, sim, o melhor caminho.

Por fim, eu sei que isso tudo não precisa ser definitivo. Mas se um dia eu tiver que me tornar alguém diferente, com certeza, será pelo investimento feito neste momento da minha vida. Dure ele o tempo que precisar durar, que seja meu. [talvez] Como nunca.

Nenhum comentário: