quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Registro

Os intervalos longos sem escrever estão acabando comigo.
Não adianta nem tentar dizer que é falta de tempo, de inspiração...inventar uma desculpa. Só assumir a culpa, mesmo.

O mundo anda uma bagunça. Não dá pra deixar de registrar isso, principalmente olhando a principal razão da existência destes fragmentos, desde o começo. Eu teria que resgatar todo tipo de lembrança, mesmo que as dos piores momentos, enfim.
Se são os piores momentos até agora, quem sabe o que está por vir?

Não se trata de uma declaração piegas. O pior momento não é para mim - e ainda que fosse, não haveria problema em dizer, mas - não. É a geração atual que se desfigurou, assim, sem saber.
O pior é que não foi de uma hora para outra, sabe? Dizer que até ontem estava tudo bem, é lembrar de quase vinte anos atrás. Poxa vida, vinte anos, e ninguém percebeu que a coisa estava indo pelo caminho errado?

Olhando tudo pelo lado de fora, até onde for possível, fica fácil perceber:
As músicas não possuem conteúdo. Nem poético, nem artístico, nem técnico. Nada;
Fotografias não retratam mais nada. Agora são pedaços de imagens, que podem ser capturados por qualquer pessoa em qualquer lugar. A emoção e a viagem, deram lugar ao botão touch;
Os carros agora são descartáveis. Peças de plástico envolvendo um motor, rodando por aí.
Por fim (para não ficar o resto do dia dando exemplos), a comida. Poxa vida, o que aconteceu com a comida? Ou indo mais além, com a cozinha e suas cozinheiras de mão cheia? Tudo muito rápido, tudo pronto, para comer ou para jogar fora. Na hora.

Tantas frases, de cada um dos pensadores do passado, quando unidas, conseguem expressar o que talvez estejamos vivendo. E agora, sim, é possível entender a tristeza e perturbação das grandes mentes que previam isso tudo, assim, de maneira lógica, racional: já pensou como vai ser quando...?
Triste, mesmo.
E aí vem a questão do que será que destrói mais em menos tempo: viver em anos de luz e prever a catástrofe total, ou viver enquanto a própria acontece. On line, diriam.

O ponto principal está nas pessoas. Nas pessoas e em suas relações: consigo próprias, com a natureza, com o material etc. 
O que se observa é uma contaminação da geração atual, pelo vírus que trouxe essa superficialidade para dentro de cada um. Crianças, Adolescentes, Jovens e Adultos. Ainda não encontrei alguém que nasceu antes de 1950 com estas características, e nem espero. Eles são o elo entre o agora e o que já foi bom, porém, estão indo embora, é natural. O que não é natural é ignorar os mais velhos, deixá-los de lado, não prestar atenção. Talvez este seja o primeiro sinal do atestado de burrice.

Ah, e eu deveria tomar cuidado, porque escrever a palavra burrice [Ops, escrevi de novo!] pode me causar problemas com a Associação protetora dos Burros (APROBUR). 

A geração do "Não me rele, não me toque", além das grandes atrocidades cometidas - como lutar com a própria vida pelas cotas raciais - comete pequenos, porém impagáveis, desleixos. Como mudar a letra de "Atirei o Pau no Gato" devido ao incentivo à violência contra os animais. Duvida? Cheque.

A comunicação rápida e imediata pela internet destruiu a ansiedade de receber uma carta de amor, vinda pelas estradas de terra que também já não existem mais, carregando o perfume no papel, que também foi substituído pela grife.
E como se não fosse suficiente, também limitou as pessoas a conversarem pessoalmente. Acabou a coragem, o olho no olho, a decisão tomada na hora. O que se quer agora, é tempo pra pensar na resposta, entre uma mensagem e outra do chat.
E experimente contar a alguém que, há certo tempo, era preciso ir até a casa da pessoa caso tivesse algo a dizer. Sendo importante ou não. Fica parecendo piada.
Se for ver mesmo, até que faz sentido, não? Já na nova geração, não dá pra sair a pé após determinado horário, ou corre-se o risco de não voltar nunca mais.

É a bola de neve com a neve mais cruel que alguém já pode ter provado.

O mais engraçado é ver que os problemas da geração anterior, sendo as limitações sociais, preceitos morais, congelamento de crenças e de costumes ditatoriais, se mantiveram!
Aliado a isso tudo, surge o novo: o medo, a insegurança, a incapacidade interior e exterior, os novos modelos, o culto a uma imagem pra lá de esquisita, entre diversos et ceteras.
Veja que mistura.

Finalizando a ótica deste registro - que apresentou apenas a problemática, pois nunca foi intenção consertar nada por aqui - trago a visão mais intensa: tornou-se raso o prazer. Qualquer prazer, incluindo desde a mais proibida das luxúrias até a mais banal mordida em um chocolate. 
Não é mais necessário estar no lugar certo, na hora certa, com um monte de gente desconhecida, para que após um fondue e muito vinho todos estejam nus sobre um tapete de pele de coelho se divertindo pela noite a fora. Agora, é só abrir a internet banda larga e resolver tudo sozinho, usando a imaginação.
Imaginação esta que, doutra feita, compunha músicas da mais pura emoção e transparência dos sentimentos de um grande artista. Que nada! Artista hoje é aquele que consegue chegar em casa após a sequência: Caminhada - Metrô - Ônibus - Metrô - Caminhada.

Que este registro chegue a quem deva chegar.






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