sábado, 22 de dezembro de 2012

Mesa amarela nº 12. Ou 14.

O que será que aconteceria quando aquela possibilidade que sempre parecera tão terrível, destruidora, temível, aquela que mudaria todo o futuro para pior, que atrairia os olhos de repugnância e desprezo, começasse a ser interpretada como um fato normal? Um evento cotidiano, como a escolha (desde agora, tão mais importante!) entre a camisa azul e a vermelha. 

Aquilo que sempre foi colocado como prioritário, que sempre fez transformar simples proletariados em agentes secretos, psicólogos, hipnotizadores e manipuladores de mentes, donos do tempo, donos da verdade, o que mais? Não importa. Mas e se não fosse mais prioridade, então? Se todos os riscos envolvidos se resumissem a um dano qualquer. Levar ou não o guarda-chuva? É deste poder de escolha que estou falando.

O raciocínio apareceu quando devia. Ontem um "Ensaio" de Saramago, amanhã uma maratona de "Bergman", ambos com a potência de uma avalanche trazendo aquela sensação esquisita dO Vidente: "I made a mistake". O efeito é o mesmo.

Eu não me lembrava mais de como era sofrer o efeito de uma sensação alheia a mim.

Agora toda esta subjetividade e prolixidade - que felizmente não podem ser evitadas - apresentam a nova face, e a possibilidade de entrar na estatística, de sair da esfera, de voltar a um mundo de confusão, insensatez, compromisso e irresponsabilidade, divisão, paixão, madrugada, Coca-cola, sentido figurado. Um mundo de estranhez que sempre, sempre me acolheu tão bem.

Entendo, então, quando diziam sobre perder o brilho em poucas semanas. Acaba-se a energia, a força, o interior. Fica o que é visível, e isso definitivamente nunca importou, pra ninguém. Quem se importa com algo que se pode ver mas não saber o que é?

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