sábado, 1 de junho de 2013

Cada qual


Nunca me esquecerei do sorriso daquela menina.

Nem de suas outras tantas formas de olhar, e de me olhar, e de fazer com que a vida fosse mais simples. Mais próxima de tudo aquilo que, talvez, nunca seria.

De todos os mistérios que rodeavam aqueles lábios e toda aquela sensibilidade, de certo que o mais enigmático era sua transparência.

Não por entregar tudo assim, de bandeja, mesmo porque a tal guria vivia em uma luta constante para se manter firme, escoltada pelos próprios pensamentos, com sentimentos impenetráveis [apesar de explodirem por dentro] e com um escudo blindando seu passado, tão recente, e tão esquisito.

O segredo era sua capa de seda a cobrir todo esse arsenal. Uma forma só dela de mostrar quem era a quem quisesse enxergar [e não apenas ver, por tentativas mil], de ter expressões tão imprevisíveis que tornava, assim, praticamente impossível reconhecê-la logo de cara.

A combinação entre seu rosto e sua aura puramente mutáveis, se hospedava no fundo dos olhos de cada um.

E em cada novo olhar lançado, uma nova menina. Surgia uma nova Violeta [ e há quem tenha nome mais bonito?], cada qual com seu poder de sedução, de encantamento e de fazer o outro parar. Sim, ela não era uma menina de parar o trânsito, mas bastava olhar no fundo dos seus olhos e desmontar por inteiro. Ainda não conheço alguém que tenha resistido.

Ah...

Nunca me esquecerei de você, menina, porque a cada lente você já mudou. A cada memória, você ainda me faz desmoronar [ um homem deste tamanho, veja só].

Nunca me esquecerei porque você nunca se foi. Porque você jamais irá.

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