sexta-feira, 12 de julho de 2013

Overload


Estou cansado de mim mesmo. Esgotado de ser quem sou. Irritado com o som da minha própria voz.
Não obstante, isso não se deve ao mundo. 

O mundo não me pede satisfações porque fujo bem.
O mundo não me conhece direito porque minto bem.
O mundo não me traz conselhos porque disfarço bem.
Por fim, o mundo não me cobra. Também porque já sei fazer isso bem, muito mais e com muito mais ímpeto do que deveria.

Estou cansado de mim mesmo, tortura por autobiografia.

Meu dia-a-dia é trazer sensações boas às pessoas em forma de nostalgia. Resgato emoções e as transformo em sorrisos, arrepios, palmas, bilhetes de papel.

E para fazê-lo direito, fui usado como cobaia durante a criação. Era o único jeito de saber se funcionaria mesmo.
Foram fotos, discos, livros, 
lugares, vistas, viagens, 
cheiros (ah, os cheiros!), marcas, beijos,
comidas, bebidas, emails,
tudo revivido assim, 
de forma mais física, impossível.
Funciona, reviver uma retrospectiva - quando se pode, somente, assisti-la - é de se suspirar.

Contudo não escapei do que parece ser uma overdose de mim mesmo.  Agora basta: chegou o tempo do silêncio.



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