quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Velho vício

O perfume provocante
Impregnado em meu cachecol
Os fios dos teus cabelos
Colorindo meu lençol

Tua boca e olhos grandes
Teu sotaque, teu cuidado
Em me fazer o mais feliz do mundo

Teu esforço, tua vergonha
E essa forma de prever o futuro
Resolvendo meus problemas
Tudo em nem cinco minutos

Tua forma de ir embora
Sem deixar nenhum vestígio
E me fazer ir, noite afora
Pra te ter ali comigo

E é claro que eu vou te procurar
Vou até você
Não vou nem chamar
Elas sabem que sou teu
Então nem vou precisar
E é claro que eu vou te compensar
Pois já está valendo tudo
Apostei as minhas fichas
Só não me diga a verdade
Vem aqui pro nosso mundo

sábado, 10 de agosto de 2013

Manhattan

Sem emaranhados ou atropelamentos
É bem melhor falar
É bem melhor ouvir
O mais que a gente puder
Lá fora já está um silêncio
[será que a guerra acabou?]
Apenas murmúrios, balelas
Aqui dentro uma enchente
Aí dentro, câmara de gás
Porém, cá, em nossa mesa
Só lagrimas sinceras molhando o chapéu
E se a guerra acabou mesmo
Nossos muros foram derrubados
Pelas bombas de nossos rivais
No lugar, puseram grades
Dessas bem espaçadas
Já dá pra ver do outro lado!
Ainda que aqui de longe
Tento ver, e consigo
Seus problemas desde a infância
Deixo você ver também
Agora que já é adulta
Meus pesares de adulto
Misturamos os cheiros
Que passam de lá pra cá
E se os muros pareciam duros
Por detrás, ainda, os escudos
Hoje o que fecha as grades
É um grande cadeado
Vamos achar a chave?
Ou estourá-lo também?

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Mistura

Já que estou meio bêbado
Já que estou é bem bêbado
Não me faça falar de amor
As vezes até consigo
Tá bom, eu sempre consigo
Mas não me deixe pior

Cuida sim do teu quase-carinho
Me deixa aqui com meu sonho
Eu cuido do nosso sonho
Eu guardo tudo em segredo
Depois me manda o convite
Por mais que isso me irrite
E me faça quebrar vidros
Eu limpo tudo depois

Vou digerir sua indiferença 
Sua frieza, sua carência 
E vomitar tudo aqui, a lápis 
Já que você nunca é a mesma
E decifrar não me serve mais
Suas mãos não me cobrem mais
Desde uns minutos atrás
Que eu não sou mais seu






sábado, 3 de agosto de 2013

Wide shut

Há um quê de se medicar em sentir o tal do prazer na dor.

Dor de saudade
Dor de ciúme
Dor de uma perda
Ou traição
Ou frustração
Ou desrespeito
Intuição
Expectativa
Pressentimento
Provocação
Inibição
Ira, tensão
Contra o destino
Contra os horários
E desencontros
Complicações
Contravenções
Ouvir menções 
E se calar.


Há dor em tudo. E assim, prazer.
A formula da lágrima não foi manipulada. Remédio natural, nos foi dado. Obrigado!

Chorar é gozar no êxtase.

De uma dor.



sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Soma

O encanto faz palpitar o coração;
O medo faz chegar mais longe, o encantado;
A paixão faz sentir tesão, o homem, a mulher;
O ciúme faz descer do salto, o apaixonado;
A obsessão faz sair do controle, o inseguro;
A insegurança faz perder o que ja tinha, o obcecado;
A sensatez faz estar no controle, o amedrontado;
A confiança faz desarmar-se, o ciumento;
As palavras fazem bem enganar, o inseguro.

Entao não venha me falar de soma. Para quê serve o amor?