segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Can't fight the night


Quando a noite está em seu mais profundo silêncio e intensidade, o que se traduz em aproximadamente três e meia, todas as coisas se confundem. As imagens enganam, as palavras entregam duplos, triplos sentidos, os olhares e suas intenções - ou mesmo suas não intenções - se misturam completamente, desordenadamente.

A noite continua implacável.

As pessoas mudaram, se mudaram, desapareceram, apareceram. Estão ali, e não estão mais. Tudo acontece muito rapidamente, visto que todos os sentidos estão aguçados, então por que não a noção de tempo?

Os sorrisos foram substituidos, inibidos, alguns desprezados, outros enaltecidos desmerecidamente. Os sorrisos continuam envolvendo e criando esperanças. Milagrosamente.

Ainda sobrevive o suspense, a chama, a loucura quieta esperando sua explosão. À noite tudo vem à tona...

São gritos, barulhos, cheiros, toques, movimentos, luzes, beijos, gostos, força, brutalidade, sensibilidade, fumaça, respirações, dores, observações, idas, chegadas, empurrões, ações, disfarces, esconderijos...

Até perco o fôlego.

Não se trata de escolha. Quem cansou da noite nunca pertenceu a ela, não se engane. Essa vida não é para poucos, menos ainda para interessados, entusiastas, curiosos, corajosos, metidos. Depois que o sol se põe, a vida recusa amadores.

Odeio amadores.

Porque não basta amar. É preciso ser. O coração dá o pulso do ponteiro dos segundos, no lado direito do seu relógio. E se a noite não está dentro de você, como deixá-la sair assim que escurecer?

Cada noite quem faz é você. E não existe noite ruim, apenas aquela que você se fechou em seus pensamentos diurnos.




"Só a noite é minha amiga, a quem friamente confesso a natureza noturna dos meus infernos diários. Eu tenho o mesmo segredo dos malditos solitários: ninguém sabe a natureza dos meus infernos diários."
(Fagner)

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