quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Sós assim.

Naquele dia, deu certo.

Foi até difícil de acreditar, porque demorou tanto! Mas aconteceu de forma quase tão inusitada quanto ele havia imaginado. Como ela tanto temia.

E foi simples, como deveria ser. Ali, no corredor da maionese e da mostarda, ele comparava duas marcas despretensiosamente. Ela, entrou no corredor distraída empurrando seu carrinho discreto com algumas maçãs, creme dental e um vinho com o rótulo para baixo. Vai saber.

O que sei é que quando ela percebeu, não deu pra voltar atrás. Esses carrinhos não têm marcha ré. Era hora de encarar, engolir seco, disfarçar o coração na garganta...

 -Ai, meu Deus...
 - ...
 - ...
 - ...

Se ele tivesse derrubado os dois potes amarelos, seria cena de novela. Mas não, a vida não é assim.

 - Oi?
 - ...oi!
 - Ai, desculpa!

E a abraçou. Era só o que precisava fazer, o que queria fazer, porque sabia o que iria acontecer...e porque aconteceu: foi correspondido. Desesperadamente correspondido.

 - ...por que?
 - Não me deixa mais fugir, vai? Faz alguma coisa?
 - Posso te segurar aqui até fechar o expediente do mercado, comecei agora!

Ela riu. Claro que riu, porque ria todas as vezes, porque a moça mulher era encantada por aquele rapaz e pelo bom humor que vinha junto com aquelas duas covinhas.

Ele não. Fechou os olhos e, pra manter o mistério, só abaixou a cabeça e relaxou. O mundo precisava daquilo. O dele, e o dela.

Enfim, sós.


Nenhum comentário: