quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Two to Tango



Quando parei no sinal, apenas respirei. Vidrei os olhos naquela luz vermelha que ia aumentando, aumentando...já era claro que faltava emoção. Tarde da noite, quase sem perspectiva, o caminho de casa quase vazio - não fosse a loucura dessa cidade - e tão cheio de possibilidades.

Ouvi um ronco de motor, chegando junto com um cheiro de óleo que eu já conhecia de algum lugar. 

Era ela. 

Na hora, quase travei, tão grande o susto. Fiz só o que consegui: acenei um sim com a cabeça...mudo, entre um segundo e outro no contador ali do poste. Ela sorriu, enquanto falava no celular, e retribuiu: sim. Óbvio, com a cabeça.

Começou, então, uma estranha corrida.

Deixei que ela fosse na frente...sempre confiei na minha máquina. E ela foi mesmo! Porém, no caminho, deixando vestígios para que eu soubesse que caminho seguir, por onde andar. Coisa de quem quer ser encontrada.

Comecei a gostar da brincadeira. Chegava perto, ultrapassava, fazia um sinal...e a deixava ir novamente. Até que numa dessas, ela desapareceu. Comi poeira, diriam os fanáticos...

Ainda sim, tenho minha fama, e peguei um atalho. Chão batido e pista estreita nunca me deram medo, e não é que quase encostei nela lá na frente? Estava indo bem novamente.

Resolvi pegar leve. Ela ja mostrou que tem medo e que é melhor ir com calma, então vamos rodar a noite toda, se preciso. Pois bem...foi que em uma fração de segundo, pronto! Sumiu novamente!

De lá de cima da rampa, dava pra ver os faróis lá longe, o suporte para bicicletas, a forma dos cabelos balançando contra a luz.

Fiquei tão desnorteado que até parei o carro, encostei, desci e pisei na terra fofa. Ainda havia poeira subindo, e eu aqui tendo que pisar no freio. 

Ainda te fecho por aí, em um estacionamento ou uma praça qualquer. Ah, você vai ver...

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