sexta-feira, 26 de junho de 2015

Dossiê [2]


O grito é o desespero
a mão que puxa a alma do avesso
Acorrentada no dia a dia.

Envelopes deslizam sob mil portas
O cotidiano dá errado
Mas o café não queima a boca.

A tinta é tóxica
A farinha também
Mas o bolo tem cheiro bom

O palco é o esconderijo
Mais se esconde, mais se mostra
E e só pra quem tem coragem

De se abrir para o mundo em troca de um pouco de paz.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Dossiê


Há redemoinhos e pesadelos,
olhos no céu,
tiros no escuro,
golpes no estômago,
e vozes.
Principalmente vozes.
Na cabeça do artista.

Não se pode entender com clareza,
não pelos métodos comuns.
Essa ilimitada incompreensão
não precisa de culpa
Nem de falsos sorrisos
Ou olhares vazios
Apenas silêncio!

Inacreditáveis sonhos, desejos,
advérbios e poréns
irão surgir
naquelas linhas expulsas,
daquelas notas exorcizadas,
do pincel empunhado,
das sapatilhas rasgadas,
da maquilagem inabalável,
na máscara quase tatuada.

O corpo, um tanque de guerra
A cabeça então, misteriosa taberna
Onde acontecem
os melhores encontros
os grandes negócios
e histórias inesquecíveis
e amores correspondidos
possíveis ou impossíveis
No canto dos pensamentos.


terça-feira, 2 de junho de 2015

Grand Central


Se o mundo é sem paciência
Sem tempo, sem gentileza
Pra que você agir assim?

Não há mais agenda pra um Oi
E aquele café, só depois
Depois, me diga, do quê?

Nessa geração tão alheia a tudo
A gente bem que podia ir na contramão [não?]
Porque cada vez que você se esquiva
Ou que me atropela em tua lista
Nos põe em perigo, ali na multidão.

Se lembra que sempre odiamos perder?
Agora que havia algo em nosso favor
Inescrupulosa distância
Não merecemos viver mais com ânsia
Te encontro na estação bem perto das seis.