quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Já deu

Quando tudo parece tremer, desestabilizar, sair do controle. Quando tudo causa dor, e quando não dor, náuseas, taquicardia, medo, angústia. Quando o corpo pede e a cabeça não dá.

A meta é ir.

Porque o amor exitou: fez devastar tudo, destruir os sonhos, alimentar o monstro, bagunçar por dentro e por fora - e nos arredores, veja só - e sair sem deixar vestígios. Ufa!
Porque a vontade de fazer as coisas certas foi encoberta por uma camada de sofreguidão e grosseria, restando apenas uma vontade incontrolável de não obedecer a ninguém e deixar tudo pra trás. Tudo.

Então, a meta é ir.

Só que desta vez importa sim como, para onde, e principalmente, quando. Não importa muito o porquê, afinal, vale repetir: ir. É a meta.

Parafraseio a mosquinha: a seta no alvo.

Vale fugir, vale correr, vale em segredo e em público também. Vale ir rápido, ir parando e apreciando a paisagem, voando ou cavalgando, com ou sem pressa de chegar. 
Curioso ser fim do ano e se pensar em planejar. Entretanto é preciso, então seja o que Deus quiser, porque não há fé mais bonita do que a d'Ele na gente mesmo, e do que a nossa em nós. Mesmo.

E se tudo der certo, bem...vai dar tudo certo.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Beat it

Chegou um dia em que notei que meu egoísmo e egocentrismo estavam demais. Que aquelas pessoas que me disseram isso não eram loucas, eu estava mesmo precisando pisar no freio. 
Pisei.
E então começaram as humilhações, o desrespeito e as grosserias. A vida funciona conforme você quer.
Epa! Será esse um pensamento egocêntrico novamente?
Pois é, tive que voltar. 
Voltei.
Porque não gosto de dividir os comportamentos na minha cabeça. Uma hora mocinho, outra bandido, uma hora coitado, outra fodão, uma hora manda, outra abaixa a orelha. Não! As coisas devem obedecer uma lógica, o sol está aí pra todo mundo (ou quase, mas vá lá) e é preciso ter alguma firmeza. Aquele patrão que pisa em todo mundo mas em casa obedece a mulher pianinho me serviu de bom exemplo.
O problema é que as tentativas continuam. Quando foi que as pessoas se tornaram tão difíceis? Ou será que isso são os tais reflexos da vida adulta - que já está aqui faz tantos anos - e ainda não aprendi. Como assim? Ainda?
Nessa, a segunda problemática é que não gosto do embate. Talvez desde aquela vitória injusta na infância eu não me sinta preparado para discutir. Evito, ao máximo, fujo, passo batido, me faço de desentendido até que tudo volte ao normal. Não sou do tipo que não leva desaforo pra casa: eu levo sim, e muito. Meu orgulho não é inflado, deixo bater, não me defendo. Resisto e aguento, quieto, calado, respirando. Não vejo grande vantagem em ser do outro jeito, sabe?
Mas e aí, se cada um vê só o seu lado? Se o dinheiro é mais importante, que a arte, que a história, que o contexto, que o ponto principal, que a vida? Qual é o caminho para um ser egocêntrico mas que não sabe brigar?
É preciso achar um jeito de viver sozinho, mas um jeito que funcione. Porque este imitando saco de pancada não vai durar muito.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

No return


Será que errei o caminho? Que fiz a escolha errada lá atrás, e estas são as tais consequências? Ou será que continuo fazendo as escolhas erradas todos os dias?
Me lembro bem de quando cheguei e vi tudo o que estava me esperando: todos os prazeres, os cheiros, sabores, toques e arrepios, ali a disposição para alguém que estava preso e supostamente condenado a seguir o exemplo sujo e limitado de uma geração mal explorada. 
Abracei.
E conforme tudo foi evoluindo, adotei comportamentos, estratégias, possibilidades, desenhei perfis, estudei, criei um universo a parte. Tudo isto em função dessa forma de viver. Afinal, era preciso.
Agora quando olho para o rumo que as coisas tomaram, fico pensando se de fato era isso mesmo. Percebo que certos caminhos não podem ser trilhados novamente, e que não há como retornar. E por mais que eu opte por outras alternativas, é como se houvesse uma marca, que permanecerá eternamente, que insistirá em me lembrar de tudo o que houve e do que devo (ou não) pensar, olhar, fazer, obedecer ou mandar. 
Ao passo que a outra alternativa parecia ignorante e passiva, agora ela se torna interessante. Porque escolhi o caminho mais gostoso e este é sempre o mais difícil. Só não pensava que a dificuldade abriria meus poros para a entrada de toda essa energia, vinda de todo lado, uma linha de fogo. 
Se não há caminho de volta, só resta seguir em frente. E se não sei direito pra onde, está chegando a hora de olhar tudo de cima, mapear tudo de novo, e tomar uma nova decisão.
Aguardo as consequências.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

A corrida

As vezes acredito que há uma beleza na inconstância e nessa coisa toda de viver com medo. Na palpitação, na instabilidade - seja emocional, psicológica, espiritual, afetiva - e na insegurança. 
As vezes, não.
E é nestas vezes que não, que um desmoronamento acaba comigo e coloca tudo a perder em poucos minutos. Está tudo perdido a partir de então. 
Me movo lentamente, observo tudo com um ar de pessimismo e até uma certa insignificância, cumprimento as pessoas mas não sustento a simpatia por mais que alguns instantes, nem mesmo a música me prende a atenção. Critico. Suicido. Destilo. E o efeito continua em cascata, se alastrando pela noite e agravando a arritmia, me dilacerando por dentro e jogando tudo pra fora em forma de energia. 
Eu não choro. Não vomito. Sinto que preciso colocar tudo pra fora mas há um bloqueio. Gozo. Não resolve mais. O tempo médio de volta não passa de segundos, e a vida passa a girar novamente como o relógio do registro.
Viajo. Sumo, desligo, desconecto - assim que é mais moderno - e quando penso que tem volta, tudo volta e volta rápido. Parece até que nem fui.
Penso então que a solução tem que vir de dentro pra fora, e há de vir. Só não sei ao certo quando (de fato, não sei se alguém sabe nesta vida) e me desespero. E é aí que o coração não segura a onda.
Encho a cabeça de trabalho. A cabeça, o corpo, tudo. O tempo passa então a correr em maratona desenfreada, roubando minhas horas, meus minutos e meus sentimentos. 
O tempo está levando a minha vida embora.

E eu estou deixando.