terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Elohima


Parece até que sei quando você está aqui.
Sinto seu cheiro, que vem por todos os lados, entra pelas janelas, pelas portas, pelos poros, e vai até onde deve ir: o ponto mais profundo.
Estou cochilando no sofá e ouço uma voz. A sua voz. Acordo, corro para a janela, olho pelos cantos, miro o céu e penso que você ainda está perto, que se eu correr eu alcanço, que o perfume que entrou foi porque você quase tocou o interfone e subiu. Claro que o porteiro iria deixar, até ele te conhece. Até ele sabe que você não se vai. Nunca.
Volto ao sofá e com ajuda dos gurus tecnológicos procuro suas pistas. O pior: encontro. Estão todas aqui, pulsando, notificando, invadindo meu corpo e me atingindo de um jeito sísmico. Meu coração quase para três vezes por minuto.
Porque essa semana lembrei de tanta coisa e te trouxe até aqui, quando havia apenas ecos e eu e você, e após a primeira dose que nos daria coragem já estávamos intrínsecamente nos devorando. Sem tempo para qualquer bloqueio, principalmente psicológico, ou talvez emocional, moral, foda-se: varamos a noite.
Não me lembro daquele orgasmo mas me lembro do primeiro. 
Não me lembro qual o desfecho mas me lembro daquele aniversário.
O nosso.
E não houve café da manhã porque os minutos aceleraram e você entrou correndo. Mas houve uma dor avassaladora como aquela que costumávamos sentir, e que nos tirou a energia até esgotar, e a alma ter que sair do corpo pra nos dar um tapa na cara e dizer: fujam enquanto é tempo.
Fujimos. Porém não do jeito certo.
E enquanto um de nós estiver vivo, o voo da borboleta do outro lado do mundo me trará teu perfume e um tufão. 
Fico com o segundo.

Um comentário:

Anônimo disse...

Os grandes amores são assim... nos dão o caminho da emoção. As sensações veem a tona. Nos tocamos, nos sentimos na mais profunda sensação de prazer, amor, paixão, tesão e tristeza. Não sei o que é isso, mas de tempo em tempo ela volta pra me lembrar. E a vida segue, a espera talvez da fuga.