quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Icarus


Sempre há uma saída. Pelo menos foi isso o que eu aprendi.
E vasculhando diálogos do passado - perturbador vício, este - encontrei um baita ser humano que certa vez disse: 

"Seu espírito é jovem e forte, é determinado e persuasivo, você ainda vai se desenvolver e se tornar um grande vencedor. Por isso aproveite agora: essa cerveja, essa coca cola, essa mesa de bar, essa madrugada, porque isso não vai voltar. E falo com propriedade: o meu tempo já passou, e tais coisas, jamais voltaram. Ficaram lá, junto com o passado. Perdi amigos, até mesmo os inimigos desapareceram com a poeira, a busca incessante iniciou e foram tempos difíceis. Até que deixei de caçar, e resolvi aceitar que a realidade era essa: voar significa deixar aqueles que não têm asas para trás. Não estou sendo dramático, só estou dizendo, se prepare, aproveite agora, cada gota, para que quando perceber tudo o que estou dizendo, possa dar valor, e tenha a sorte de encontrar alguém como te encontrei para passar teus ensinamentos, tuas experiências, teus valores, pois no fim...até eu já terei sumido na poeira da estrada".

Parece que ouço até hoje suas palavras. Se ele está vivo? Sim, é claro que está! Entretanto, como previsto, não mais em meu caminho, pois foi só alçar o primeiro voo pra perceber que tanta, tanta gente ficou lá no chão. Alguns dando tchau, outros atirando pedras, alguns rezando, outros rogando pragas, tudo isso enquanto continuo olhando pra cima. 
Tudo isso porque sei que quanto maior o voo, maior o tombo, então precisarei mesmo é de muita segurança pra poder subir um pouco de cada vez, e principalmente, poder descer quando achar necessário. Se achar.

Em algum momento da estrada, disseram também que o grande segredo eram as conexões e a energia de cada uma delas. É preciso se concentrar em receber e principalmente, transmitir, boas energias. Você vai precisar delas. 
Preciso então confessar que tem sido difícil. Pois estar aberto à energia que está em volta implica receber tudo, processar, transformar, fazer as coisas ficarem melhores. Mas como, se tem tanto pessimismo? Este realismo disfarçado me trucida, tenta me ancorar, criar uma camada escura em minha volta, me cegar, bloquear, até que eu desista. 

Não posso!

É mais que necessário e sadio olhar para a vida com os olhos cheios de bravura, de coragem. Se é isso o que falta por aí, que comece por mim, então. E se os que estão por perto não puderem me acompanhar, aquele meu velho amigo estava certo. Não havia ninguém com ele após a aterrissagem. 

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