quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Quando?


Quando se chega à praia, a primeira sensação é maravilhosa. Uma espécie de alívio, misturado com ansiedade - Uau! Quanta água! - e até um certo medo. A grandeza do mar e seus mistérios de fato assustam, do jeito bom e do jeito ruim. Em geral, chegar à praia é uma delícia.
Quando se chega na beira do mar, existe uma força que te puxa intensamente pra dentro. Nos sentidos real e figurado. Sim! Aquela água está voltando para o mar, e te puxa junto: venha, venha! Você se segura para se equilibrar, pois é preciso, mas já sente do que se trata. É preciso tomar uma decisão.
Quando se está entrando no mar, água nas canelas, a sensação já é de poder! Você já tem certa confiança para correr, pular os obstáculos menores - há há, essas ondinhas - e continuar em frente. Vem uma coragem sabe-se lá de onde, e você vai!
Quando a água chega nas coxas e vai subindo pra cintura, já é possível sentir o peso de sua decisão. As ondas não estão fortes o suficiente, mas já não são tão fraquinhas pra se poder pular e correr. Você se sente se arrastando, fazendo força. Os obstáculos agora te seguram e te levam, te derrubam se você não se mantém firme. Ainda dá tempo de voltar.
Quando se tem água entre a barriga e o peito, é porque se quer continuar em frente. A força do mar já mostra a que veio. Você caminha com certa dificuldade, percebe que está sendo levado, não só para o fundo, mas também para os lados, se desviando de sua reta, sem nem mesmo perceber. Você também aprende o truque de virar de lado parar quebrar as ondas, dar um pulinho, você enfrenta.
Quando, enfim, a água chega nos ombros, você já percebe que está próximo do limite. Caminhar já pode ser feito com mais facilidade, veja só? Retomar a direção em que estava também, parece acessível. Entretanto, é o momento crucial: Você pode voltar para a margem, assumindo que ali é o máximo que pode fazer; Você pode começar a nadar rumo ao oceano, ainda com uma certeza: quando não der mais pé, está sem segurança alguma, apenas você, seus pulmões, braços, pernas, e aquele montão de água; Ou ainda, você pode olhar para o horizonte e pensar...

Como pode o meu limite ser aqui? Tem tanta água, tanto a ser explorado, o oceano é tão grande, e no meu limite eu ainda consigo ver tão bem a praia! Como assim não dá pra ir mais longe?

Dá. Dá pra ir mais longe, muito mais, inclusive. Você só precisa encontrar um jeito. 

Afinal, você tentou sozinho, sem nenhum recurso, apenas você e suas crenças. E mesmo estando nessas condições, já enfrentou todas essas dificuldades, encontrou os meios de superá-las, foi em frente, lutou, caiu, foi levado, voltou, seguiu, até que se continuasse em frente já não seria mais seguro. Agora então não se trata de não ter coragem, mas sim, de não querer morrer.

Você não quer morrer. Ou quer?
Se não quer, use essa experiência a favor, e siga. Encontre os recursos, planeje, escreva tudo. Descanse quando necessário. Longe do mar! Pra quando voltar, ir em frente. 

Você sabe até onde pode ir. Você sabe até onde um jetski pode ir. Sabe até onde um bote a remo pode ir, sabe também até onde uma lancha ou um veleiro pode chegar. Mas e aí, você sabe até onde pode chegar um navio? Se não, é preciso descobrir. E se não for agora...

Quando?



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