segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Transcende o seu espírito.

O início de ambos os ciclos, o da vida e o do calendário, mostra bem a que veio. 

Não há nada que lembre mais o artista de sua vida do que o passar dos dias. A vida lembra a vida, e como o poeta Oscar Wilde já disse (Obrigado, Google), a vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida.

E a vida massacra. O passar dos dias me massacra. 

A reflexão vem pesada, perfura a pele, queima a carne, arranha os ossos, e causa dores já conhecidas. Há um tremor e um calafrio, arritmia, contrações, borboletas, pontadas, tremor novamente. Em uma repetição de causar agonia. Tudo isso pra poder pensar, oh Deus?

Não. Não tirei meu tempo, não fiz meu ritual, não faço isso há anos. O que será que houve?

Vejo meu silêncio e seus efeitos, vejo um absoluto pesar, onde as canções de amor não cabem porque não é desta sofreguidão que estamos falando. 

Chego a pensar em me arrepender se soubesse que seria assim. Se soubesse que todo esse turbilhão seria tão comum mas ainda sim, não me acostumaria. Porém quando me lembro do fenômeno do passado, prefiro este. E olha que as comparações não são nada justas.

Ah, querido diário! Se soubesses estas páginas como pioram as dores conforme a tinta vai abaixando.
Passa ainda pela minha cabeça tão atormentada se não há um verme que me infectou, que me contaminou, se hospedou e agora insiste em tentar me destruir. 

Geralmente, essa sensação toda vem depois de um grande momento de boas energias. Como se eu recebesse tanta energia boa que transbordasse e este desperdício fizesse com que tudo se derramasse e então, enfim, começasse o tal efeito. Mas não.

Tem acontecido do nada. 

Não que isso me amedronte, mas que essa constância me leva cada vez mais a crer na verdade sobre o artista e sua obra, e sobre o bom e velho manifesto de Marina Abramovic.

Ai ai, era tudo verdade!

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