segunda-feira, 7 de março de 2016

Leve Desespero



A cena se repete, misteriosa e premeditadamente. 

Ando pela calçada em plena segunda-feira após o horário típico do expediente normal, naturalmente não o meu. A chuva, que começa forte e pesada, vem direto em meu rosto aliviando meus ombros e alterando meus sentidos, acelerando meu raciocínio, isolando minhas análises. Com ela, um medo indescritível que perfura minha pele e corrói meus ossos, me enfraquece, afina meu sangue e aperta meu coração. Sim, um medo de tudo: dos relâmpagos e trovões, dos bandidos nas esquinas, dos cães bravos pelas ruas e principalmente de cada rosto que aparece, tendo ou não contato visual. Meu corpo estremece quando arrepia em um misto de frio com aquele aviso de estado de alerta que vem direto da espinha. A ansiedade dá golpes fortes no estômago a cada passo, parar na esquina para esperar os carros não é nunca uma boa idéia visto que o destino ainda parece distante, então a luta contra a dor promete continuar.

Respiro.

Há uma força que me induz a mudar a rota assim, sem prévio planejamento, apenas ir. Há tantas esquinas e ruas e vielas, infinitas possibilidades, e invariavelmente é preciso cumprir o objetivo, a agenda, aquilo que tantas barreiras superadas, guerras vencidas e bandeiras conquistadas, trouxeram ao longo desses meses, dessas semanas, desses dias de sol. A consciência de que há uma data limite faz com que o tempo só passe mais rápido, novamente repetindo a cena anterior, quando vi o final e pensei WOW! E não é que dava mesmo pra chegar?

Reflito.

E peço desculpas ao leitor. Nem sempre era pra conseguir entender.

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