quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Waiting Silence

Os dias, que correram longos, tornaram o mês mais curto. 

Um tiro.

Nisso, não pude conter as lágrimas ao sentar na janela e vê-la ali - como diria o poeta - tão redonda, imensa e amarela. Somente uma lua cheia é capaz de canalizar toda e qualquer turbulência. Ainda, tão poderosa, tem essa força em qualquer lugar do mundo.

E quando as nuvens insistiam em tentar escondê-la de mim, desviava sutilmente os olhos e encontrava seu corpo ali, iluminado pela luz do abajur, formando o que os meus amigos fotógrafos dizem ser a sombra perfeita. Um pouco rude, talvez, decepcioná-los, mas estou mais perto da perfeição do que qualquer flash.

Mais uma taça de vinho enquanto você dorme e suspira profundo. E ao contornar a curva de seus quadris, paro os olhos em seu rosto, todo desenhado. Bebo mais um pouco e agradeço pelo privilégio de estar aqui.

Por um instante, então, volto no tempo alguns anos. Penso naquelas madrugadas frias e em toda aquela trilha sonora. Junto versos de todas as canções que ouvimos, percebo a forma como elas falam da gente e como amar você é algo assim, bonito, para mim.

Ainda emocionado, me perco nos sentidos...porém não nos pensamentos. E talvez, de todas as promessas e declarações, tenham estas sido feitas em silêncio ou por palavras, a mais forte continua sendo a que nos manteve aqui. A que faz cada ano passar assim, leve e despercebido.

Hoje, enquanto esperamos o silêncio após toda a confusão, consigo em certos momentos respirar tranquilo como este seu sono cansado e lindo. A noite tem que passar, o dia tem que agir, e assim o coração se acalma, os olhos se fecham, e só fica o perfume e o silêncio.

Até de manhã.

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