terça-feira, 8 de novembro de 2016

A sede

O tempo é de limpeza. Não há outra palavra que se encaixe tão bem quanto a própria expressão.

São picadas de cobra, copos quebrados, cães raivosos, e a energia em volta a se desestablizar. Magnetismo e sensibilidade bruscamente prejudicados por uma nuvem que insiste em obscurecer a tão recente luz.

Os poros continuam abertos.

Pela primeira vez olho para o futuro e não sinto medo. Pelo contrário, sinto sede. Não porque a vida pode ser melhor - e ainda que, definitivamente, será! - e sim pela angústia que trouxe a coragem, e pela coragem que trouxe a decisão.

A parte mais difícil está rolando.

O horizonte com um por-de-sol lindo anuncia um outro caminho. O céu e o mar infinitos em si dão o seu recado, convencendo enfim de que há um outro lado esperando para ser descoberto, explorado, enfim, reconhecido como sendo então.

Na ansiedade de fazer as coisas acontecerem - traços de um quase cético capricorniano - corro como quem quer mergulhar e seguir a nado. Já em cima da hora de pegar impulso, quando olho em volta, percebo que aquelas mãos que um dia me seguraram  - em qualquer fase que tenha tentado, assim,  me jogar -  já não estão mais aqui. Paro na beira, respiro fundo e penso...parece que agora o mergulho e, principalmente o não mergulho, dependem apenas de mim.

Molho então os lábios, agradeço aos céus, e me sento na pedra. Valorizo a contemplação, sinto a brisa, fecho os olhos.

Minha sede é do destino.